Finanças
Órgão ligado ao Senado critica otimismo das projeções econômicas do governo
IFI estima, por exemplo, que a dívida chegue a 117,7% do PIB em 2036
As projeções econômicas utilizadas pelo governo na elaboração do Orçamento deste ano e dos próximos são consideradas “extremamente otimistas” pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, conforme relatório divulgado nesta quinta-feira.
De acordo com a IFI, o atual arcabouço fiscal sobrevive graças ao cumprimento das metas estabelecidas, atingidas por meio de expressivos descontos legais e do uso dos limites da banda de tolerância em relação ao centro da meta.
Por outro lado, o órgão destaca que os déficits primários efetivos permanecem recorrentes e que a dívida pública segue em trajetória de crescimento preocupante.
A guerra envolvendo o Irã e seus reflexos sobre os preços do petróleo e derivados geraram, como efeito colateral, uma folga fiscal inesperada em 2026. Esse cenário permitiu a adoção de medidas mitigadoras — como renúncias e subvenções — para enfrentar o choque externo, além de criar um ambiente fiscal favorável a decisões como o fim da chamada “taxa das blusinhas” e a formação de um colchão de segurança contra riscos de descumprimento das metas fiscais no ano corrente, segundo a IFI.
“Não é crível esperar, dada a crescente aproximação do ambiente eleitoral, medidas mais profundas e radicais de ajuste fiscal”, avalia a Instituição.
Para a IFI, a grade de parâmetros que embasou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, bem como as projeções fiscais, compõem um cenário “crescentemente desafiador”, já que as metas previstas para o resultado primário são de 0,5%, 1,0%, 1,25% e 1,5% do PIB para 2027, 2028, 2029 e 2030, respectivamente.
“Inevitável assinalar que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo e que fundamentam os números presentes no PLDO 2027 são extremamente mais otimistas que os utilizados pela IFI”, aponta o relatório.
Segundo a entidade, essas diferenças em relação ao comportamento da inflação, do PIB, dos juros, do câmbio e de outras variáveis resultam em divergências substanciais nas projeções de receitas, despesas e, consequentemente, nos resultados primários e na trajetória da dívida pública.
A IFI projeta que a dívida pública atingirá 117,7% do PIB em 2036, enquanto o governo estima que será de 83,4%.
O governo, por sua vez, espera que o crescimento econômico avance gradualmente nos próximos anos, chegando a 2,7% em 2030 e 3,0% em 2036. A IFI, porém, prevê um crescimento mais modesto.
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