Finanças

O que é um IPO? Entenda processo que pode tornar Elon Musk primeiro trilionário do mundo

SpaceX planeja levantar dezenas de bilhões de dólares em oferta pública inicial em junho; teste do Starship é visto como peça-chave para ambições da empresa em inteligência artificial, exploração espacial e redução de custos orbitais

Agência O Globo - 21/05/2026
O que é um IPO? Entenda processo que pode tornar Elon Musk primeiro trilionário do mundo
Elon Musk - Foto: © AP Photo / Matt Rourke

A SpaceX vive uma semana decisiva. A empresa de Elon Musk divulgou documentos relacionados à sua oferta pública inicial de ações, conhecida pela sigla IPO, e se prepara para mais um teste do Starship, o maior sistema de lançamento já desenvolvido pela companhia. A depender do sucesso da operação, a avaliação da empresa pode chegar a US$ 2 trilhões ou mais — o equivalente a, pelo menos, R$ 10 trilhões — o que pode fazer de magnata sul-africano.

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Mas o que é IPO?

IPO é uma sigla em inglês para Oferta Pública Inicial, ou Oferta Pública Inicial, nome dado ao processo pelo qual uma empresa vende ações ao público pela primeira vez. Na prática, é o momento em que uma companhia abre capital e passa a permitir que os investidores comprem pequenas fatias do negócio na Bolsa de Valores.

Para isso, uma empresa não pode simplesmente oferecer seus papéis ao mercado. O processo começa com o registro de companhia aberta no Órgão Regulador do Mercado de Valores — no Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além disso, a companhia precisa de autorização para vender ações e ser listada em Bolsa. Após essa etapa, recebe um código pelo qual seus papéis passam a ser negociados. As ações da Ambev, por exemplo, são identificadas pelo código ABEV3.

A empresa também deve elaborar um prospecto de oferta, documento específico ao público investidor. Nele, são apresentados os planos da companhia, a situação do mercado, os riscos do negócio, dados financeiros e informações sobre a administração.

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A oferta pode ser primária ou secundária. Na primária, a companhia emite novas ações para vender ao público, ampliando sua base de acionistas. Nesse caso, o dinheiro arrecadado vai para a caixa da própria empresa. Na segunda parte, são colocadas à venda ações já existentes, geralmente pertencentes a sócios que decidiram reduzir sua participação. Nesse formato, os recursos vão para os acionistas vendedores, e não para a companhia.

Ao fazer um IPO, a empresa amplia seu quadro de sócios, já que quem compra ações passa a impedir uma pequena parte do negócio. Entre os principais motivos para abrir capital está a possibilidade de captar recursos sem recorrer a empréstimos ou contrair novas dívidas.

E o que vai acontecer com a SpaceX?

No caso da SpaceX, a expectativa é levantar bolsas de bilhões de dólares em junho, em uma operação que pode avaliar a companhia em US$ 2 trilhões ou mais. Os recursos ajudariam a investir nas ambições da empresa em inteligência artificial e a financiar o desenvolvimento da Starship.

Entenda:

O lançamento do foguete é considerado ainda mais importante do que a própria divulgação dos documentos do IPO. A janela para o 12º voo de teste do Starship abre às 18h30, no horário da costa leste dos Estados Unidos. A transmissão poderá ser acompanhada pelo site da SpaceX e pela plataforma X.

O teste marca a estreia do mais recente do sistema de lançamento, que tem cerca de 124 metros de altura quando o propulsor e o estágio superior estão empilhados. O booster conta com 33 motores e produz mais de 8 mil toneladas de empuxo.

A etapa inferior deve ser enterrada em uma embarcação não tripulada na costa do Texas. Já o estágio superior terá uma série de objetivos de teste, incluindo a simulação de implantação de carga e o desenvolvimento do escudo térmico.

A importância do Starship está ligada à promessa de reduzir drasticamente o custo de acesso à órbita. O sistema foi projetado para cortar esse custo em 90% ou mais. O foguete Falcon 9, também da SpaceX, já havia reduzido em 95% o custo de chegar ao espaço em comparação com os ônibus espaciais.

A diferença é que o Starship foi pensado para ser totalmente reutilizável, com reaproveitamento tanto do estágio inferior quanto do superior. A SpaceX foi pioneira em foguetes reutilizáveis, mas, no Falcon 9, apenas o primeiro estágio é reaproveitado.

A reutilização do estágio superior permitiria novas aplicações, como o reabastecimento de naves espaciais em órbita, recurso considerado essencial para aumentar o alcance de missões espaciais, inclusive na direção a Marte.

A redução de custos também abriria espaço para projetos como centros de dados de inteligência artificial em órbita. Elon Musk acredita que a computação orbital poderá se tornar competitiva em relação à realizada na Terra dentro de alguns anos. Embora operar no espaço seja complexo, a vantagem seria não depender de contas de energia pagas a entregas.

Os testes do Starship costumam atrair centenas de milhares de espectadores pela internet. Com a aproximação do IPO da SpaceX, a expectativa é que o interesse seja ainda maior.