Finanças
Galípolo e Renan Calheiros trocam acusações em comissão do Senado
Discussão começou após senador afirmar que presidente do Banco Central disse que venda do Master ao BRB era correta
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) protagonizaram um acalorado bate-boca durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta terça-feira.
A polêmica teve início quando Renan afirmou que Galípolo teria declarado que a operação de venda do banco Master ao BRB era correta. Galípolo, no entanto, negou veementemente a afirmação do senador.
— Não, não... O Banco Central jamais diria que a operação é correta, porque o Banco Central não comenta sobre instituição particular — eu não posso fazer isso — respondeu Galípolo.
Renan retrucou dizendo que apresentaria um áudio que comprovaria a suposta declaração, mas nenhum arquivo foi exibido durante a sessão.
— Permita-me que eu vou lhe mandar a gravação da resposta que o senhor deu aqui nesta Comissão — insistiu o senador.
Galípolo defendeu a atuação do Banco Central na operação, afirmando que a instituição agiu corretamente ao barrar a venda do Master ao banco estatal.
— A função do Banco Central é tentar salvar a instituição em vez de liquidá-la. No entanto, não havia o que salvar no Master. Por isso, a proibição da venda para o BRB foi correta. Hoje, só quem não tem TV a cabo ou internet pode achar que o Banco Central queria aprovar essa operação.
O presidente do BC lembrou ainda que, durante o processo, lideranças do Congresso chegaram a apresentar um projeto que permitiria ao Legislativo demitir presidente e diretores da autoridade monetária.
O senador Renan Calheiros, por sua vez, classificou como “gravíssimo” o fato de Galípolo não ter reagido publicamente às propostas.
— A reação pública de Vossa Excelência naquele momento era pedagógica para a autonomia do BC, e isso não foi feito. Isso é gravíssimo — afirmou Renan.
Galípolo rebateu, ressaltando que não é função do BC “gravar vídeos para o TikTok”.
— Ela (a reação) foi pedagógica. No dia seguinte, o Banco Central teve a coragem de rejeitar (a operação entre BRB e Master). O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque. O Banco Central toma a decisão correta, independente de quem está jogando pedra e fazendo barulho.
A sessão terminou em clima de tensão, com Galípolo reclamando das dificuldades para se manifestar diante do colegiado.
— Eu não consigo falar. Gente, eu queria só um minuto para falar — protestou Galípolo, enquanto o presidente da CAE conduzia a sessão.
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