Finanças

Ministro se reúne com CEO de empresa brasileira de terras-raras e afirma que país está aberto ao capital americano

Compra de empresa por companhia americana avaliada em R$ 2,8 bilhões será analisada pelo Cade

Agência O Globo - 19/05/2026
Ministro se reúne com CEO de empresa brasileira de terras-raras e afirma que país está aberto ao capital americano
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se reuniu nesta terça-feira com Thras Moraitis, CEO global do Grupo Serra Verde, para discutir o futuro do setor de terras-raras no Brasil. Silveira afirmou que o país está aberto ao capital americano, desde que os investimentos contribuam para o desenvolvimento nacional do setor.

Em abril, o Grupo Serra Verde e a USA Rare Earths anunciaram a criação de uma multinacional focada na estruturação da cadeia produtiva de ímãs de terras-raras, com operações no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido. A nova empresa terá capacidade para atuar desde a extração até a fabricação de ímãs, passando pelo processamento, separação e metalização.

Thras Moraitis, presidente e membro do conselho de administração da USA Rare Earths, esteve no Ministério de Minas e Energia para detalhar os planos do grupo. “O Brasil está aberto ao capital americano e de qualquer outro país que respeite a nossa soberania, essa é a mensagem que o presidente Lula deixou ao presidente dos Estados Unidos e ao mundo. Estamos trabalhando para que investimentos internacionais, como o da Serra Verde, se consolidem como ativos estratégicos para o desenvolvimento industrial e mineral nacional, fazendo com que o nosso país deixe de ser apenas um exportador de commodities”, destacou Silveira em nota.

O ministro também ressaltou: “Queremos garantir toda a estabilidade ao investimento estrangeiro, tanto do ponto de vista regulatório, ambiental e econômico. Sabemos das condições geopolíticas favoráveis do Brasil, por isso os investidores podem confiar no país”, concluiu.

A Serra Verde opera em Minaçu, Goiás, sendo atualmente o principal projeto brasileiro de terras-raras em operação comercial. A empresa já produz carbonato de terras-raras, representando a primeira etapa de agregação de valor à cadeia produtiva.

Thras Moraitis afirmou: “Saudamos a confirmação do Ministro sobre a abertura do Brasil ao investimento privado, no interesse de desenvolver o significativo potencial do Brasil no fornecimento global de materiais críticos. Investimos valores substanciais de capital privado ao longo de 15 anos, o que nos permitiu processar nosso minério em um carbonato de alto valor. Nossa combinação com a USA RE nos proporciona acesso a novas tecnologias que podem agregar ainda mais valor ao nosso produto no Brasil, o que estamos comprometidos em avaliar”.

O negócio de fusão entre as empresas foi avaliado em US$ 2,8 bilhões. A companhia americana informou que pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá cerca de 126,8 milhões de ações. A Serra Verde, proprietária de uma grande mina de terras-raras no norte de Goiás, é controlada por duas companhias americanas (Denham Capital e EMG) e uma britânica (Vision Blue).

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu procedimento, em 11 de maio, para avaliar se a operação configura ato de concentração. Caso positivo, o órgão decidirá se a notificação é obrigatória e se será necessário analisar os impactos concorrenciais do negócio.