Finanças

Empresariado paulista pressiona, e Alckmin defende diálogo sobre fim da escala 6x1

Vice-presidente visita feira em São Paulo e ouve críticas do setor varejista à proposta que altera jornada de trabalho

Agência O Globo - 18/05/2026
Empresariado paulista pressiona, e Alckmin defende diálogo sobre fim da escala 6x1
- Foto: Reprodução / Instagram

Representantes do empresariado paulista manifestaram críticas à proposta em tramitação no Congresso Nacional que prevê o fim da jornada 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso — durante evento com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, nesta segunda-feira (18).

Alckmin participou da abertura da Apas Show, uma das maiores feiras supermercadistas do país, realizada na Expo Center Norte, em São Paulo. Em praticamente todos os discursos, ouviu pedidos para que projetos que alterem o limite da carga horária de trabalho não tramitem em regime de urgência e considerem as consequências econômicas para o setor.

“A política é essa arte do abraço coletivo, do bem comum, de buscarmos as melhores soluções”, respondeu Alckmin aos empresários.

Após o evento, em conversa com jornalistas, o vice-presidente evitou detalhar o andamento da pauta, mas reforçou a importância do diálogo: “É possível, sim, avançar nesse bom diálogo.”

Na semana passada, o governo federal chegou a um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para pautar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê descanso remunerado de dois dias e a redução do teto da jornada semanal de 44 para 40 horas. Um segundo projeto, de autoria do Executivo, trataria das especificidades de cada categoria profissional.

O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, anfitrião do evento, afirmou que o setor possui cerca de 350 mil vagas abertas e que a aprovação da proposta poderia agravar a situação. Ele defendeu uma escala mais flexível, com modelo “horista e de jornada livre”.

Outras lideranças, como representantes da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), argumentaram que seus setores já operam com margens apertadas, negociação coletiva e variações de preços conforme os custos de produção.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), também participaram do evento e se posicionaram em sintonia com o empresariado. Tarcísio destacou que o debate não pode “enganar o trabalhador” e sugeriu a necessidade de desoneração de impostos para viabilizar a medida:

“O debate precisa ser encarado com muita seriedade. Não podemos levar as pessoas para o caminho da informalidade, da falta de dinheiro no fim do mês.”

Ao final do evento, Alckmin e Tarcísio visitaram estandes, mas não circularam juntos. Eles devem estar em lados opostos nas eleições de outubro, com Alckmin buscando a reeleição na chapa de Lula e Tarcísio apoiando o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Elogios a Jorge Messias

Durante a ocasião, Alckmin elogiou o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que pode ter seu nome novamente indicado pelo presidente Lula para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

“A indicação é uma prerrogativa do presidente da República, então, vamos aguardar. Jorge Messias tem todas as condições, é um jurista experiente e tem espírito público. Ele fez concurso para ser advogado do povo, para a AGU. Então, tem espírito público, preparo e experiência.”