Finanças

Antes e depois: após interdição da Anvisa, veja como ficou a fábrica paulista da Ypê

Cinco dias após a interdição de parte da produção, empresa apresentou correções em unidade de Amparo

Agência O Globo - 13/05/2026
Antes e depois: após interdição da Anvisa, veja como ficou a fábrica paulista da Ypê
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Ypê abriu as portas de sua fábrica em Amparo, no interior de São Paulo, cinco dias após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspender parte da fabricação e comercialização de detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos. O objetivo foi apresentar as adequações realizadas após a fiscalização.

O g1 e a ETV participaram de uma visita monitorada na segunda-feira (11), um dia após o programa "Fantástico" divulgar detalhes do relatório sanitário que apontou falhas graves no processo produtivo.

Embora tenha obtido efeito suspensivo automático ao recorrer da decisão da Anvisa, a Ypê optou por manter a produção parada nas unidades afetadas para acelerar o cumprimento das exigências. A diretoria colegiada da agência deve analisar nesta quarta-feira (13) se mantém ou não a suspensão da fabricação e da comercialização dos lotes de produtos com final 1.

O antes e depois da fiscalização

O relatório da inspeção apontou sinais de corrosão em equipamentos usados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, além de problemas no estado de conservação de tanques de manipulação e no armazenamento de resíduos de produtos devolvidos às linhas de envase. Segundo a Anvisa, essas falhas comprometem as boas práticas de fabricação e aumentam o risco de contaminação microbiológica, com possibilidade de proliferação de bactérias, fungos e outros microrganismos nocivos.

Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou 80 lotes com resultados fora da especificação microbiológica, incluindo testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa.

Força-tarefa

De acordo com Eduardo Beira, diretor executivo de Operações da Ypê e neto dos fundadores da empresa, uma força-tarefa foi organizada desde a quinta-feira (7), data em que a suspensão foi anunciada. Cerca de 400 funcionários passaram a atuar em três turnos para executar limpeza, pintura e manutenções nas áreas afetadas.

— Mobilizamos toda a equipe para que trabalhássemos em limpeza, pintura e manutenções. Estamos atuando para resolver tudo aquilo que a Anvisa nos apontou — afirmou ao g1.

Segundo o executivo, muitos dos pontos citados no relatório não têm contato direto com os produtos, e os lotes com presença da bactéria permanecem armazenados, sem risco de chegarem ao consumidor.

— O que queremos demonstrar é que a segurança do consumidor é nossa prioridade. Não colocaríamos em risco a saúde de ninguém — declarou.

Especialistas apontam que, além da decisão desta semana sobre o efeito suspensivo, a Ypê ainda enfrentará a análise formal do recurso administrativo e o acompanhamento do eventual recolhimento dos produtos listados pela Anvisa. Até nova deliberação, a orientação oficial da agência permanece: os consumidores não devem utilizar os itens incluídos na medida sanitária, entre eles lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes de diferentes linhas da marca.