Finanças
Desenrola 2.0, crédito para motoristas de apps e fim da 'taxa das blusinhas': governo acelera medidas de olho nas eleições
Poder Executivo também ampliou programa voltado para financiar reformas de casas
Com foco num aumento de popularidade do governo a cinco meses da eleição, o Planalto acelerou uma série de medidas para tentar estimular o crescimento da economia e aumentar a renda do trabalhador. Entre as iniciativas, estão o novo Desenrola Brasil, o crédito para taxistas e motoristas de aplicativos (que ainda será oficializado) e o fim da “taxa das blusinhas”, anunciada nesta terça-feira (dia 12).
'Taxa das blusinhas'
A decisão anunciada ontem por Lula e ministros no Palácio do Planalto vinha sendo defendida pela política do governo. Nos levantamentos internos do Planalto, a "taxa das blusinhas" é apontada como um dos principais pontos de desgaste do governo. A avaliação é de que a mudança precisa produzir efeito concreto nas compras de menor valor, beneficiando principalmente a população de baixa renda.
O termo "taxa das blusinhas" é usado para se referir ao programa Remessa Conforme, criado para permitir a cobrança do Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Antes, na prática, o imposto era zerado. Para compras acima de US$ 50, segue valendo uma alíquota de 60%. A partir desta terça, as compras até este valor não pagarão imposto, de acordo com o governo.
Segundo dados da Receita Federal, nos primeiros quatro meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação sobre encomendas internacionais.
O debate sobre o assunto surgiu logo após o esforço do Palácio do Planalto para ampliar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do avanço da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
Com uma avaliação de que é preciso melhorar a percepção da população sobre a renda, o governo vem trabalhando em medidas para reduzir o custo do crédito e o comprometimento da renda das famílias com dívidas.
Novo Desenrola
Na última segunda-feira, Lula anunciou uma nova edição do Desenrola Brasil, lançada inicialmente pelo governo em 2023. Segundo o Banco Central, quase 30% (29,7%) da renda dos brasileiros é consumida pelo pagamento de dívidas, o maior patamar da série histórica, iniciada em 2005.
A expectativa do governo é que o programa alcance até 27 milhões de brasileiros e permita a renegociação de cerca de R$ 100 bilhões em dívidas. Para viabilizar os descontos, o governo vai oferecer até R$ 15 bilhões em garantias do FGO (Fundo Garantidor de Operações) aos bancos.
Motoristas
Em consequência, a equipe econômica do governo finaliza os detalhes de uma linha de crédito subsidiado que será destinada a motoristas de aplicativos e taxistas. A ideia é oferecer juros abaixo dos praticados no mercado e da Selic, hoje em 14,50%. O alto patamar dos juros tem sido usado pelo governo como argumento para as políticas de financiamento.
Neste caso, por exemplo, membros do governo dizem que o programa deve ter juros em torno de 12% ao ano, bem abaixo das taxas de mercado, que rodam acima de 20% ao ano.
Os motoristas estão entre as categorias em que o governo Lula busca melhorar a aprovação. No fim do mês passado, o Executivo ampliou o programa Move Brasil, que oferece crédito mais barato para a compra de caminhões. A linha de crédito vai oferecer até R$ 21 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões em recursos adicionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Minha Casa Minha Vida
As políticas de financiamento também têm como foco o setor imobiliário. Na semana passada, o governo anunciou a redução de juros e ampliação do prazo de pagamento de uma linha de crédito do Minha Casa, Minha Vida usada para reformas e melhorias habitacionais. O programa também teve ampliação das faixas de renda.
Em março, o governo ampliou em R$ 20 bilhões os recursos do Fundo Social do programa para viabilizar a construção de 1 milhão de unidades habitacionais até o final deste ano. O orçamento total do ano é de R$ 45 bilhões.
Segundo o governo, os novos recursos terão como prioridade o financiamento da Faixa 3 do programa, voltado para famílias com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, atingindo também famílias de classe média. As faixas também foram atualizadas.
Crédito consignado
Junto com o novo Desenrola Brasil 2.0, o governo Lula anunciou também mudanças no consignado do INSS, alterando a margem de empréstimos para investidores privados de 45% para 40%. O prazo de pagamento foi ampliado de 96 meses para 108 meses, e será autorizado um prazo de carência de 120 dias para começar a pagar em parcelas.
O consignado privado também foi alvo de mudanças pelo governo no final de março que definem a diferença de 1 ponto percentual entre os juros nominais do contrato e o custo efetivo total, que inclui tributos e seguro. A taxa média de juros dessas operações girou em cerca de 3,66% ao mês, segundo o Ministério da Fazenda.
Mais lidas
-
1DESCOBERTA ASTRONÔMICA
Astrônomos identificam estrela de hipervelocidade ejetada do centro da Via Láctea
-
2GREVE
PM usa bombas e gás para desocupar reitoria da USP; estudantes prometem ato unificado na segunda (11)
-
3POLÍTICA
“Se os Garrotes derem mais, eu fecho”: Vídeo vazado expõe Júlio Cezar e a política sem amor; veja vídeo
-
4CURIOSIDADE INTERNACIONAL
Mulher bebe quase uma garrafa inteira de tequila para evitar descarte em aeroporto dos EUA
-
5INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Aeroporto de Penedo está pronto e aguarda autorização para primeiros voos, afirma Paulo Dantas