Finanças

Economista Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, morre aos 81 anos no Rio

Ajudou a elaborar o Plano Cruzado e liderou o BC durante a crise da desvalorização do real em 1999

Agência O Globo - 08/05/2026
Economista Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, morre aos 81 anos no Rio
Chico Lopes

Francisco Lafaiete Lopes , conhecido como Chico Lopes, faleceu nesta sexta-feira (7), no Rio de Janeiro, aos 81 anos. O economista estava internado no Hospital Pró-Cardíaco.

Lopes foi figura central nos principais debates sobre a economia brasileira e a política econômica na segunda metade do século XX.

Formado pela UFRJ, com mestrado na EPGE da FGV do Rio — referência do pensamento econômico neoclássico e ortodoxo no país — e doutorado em Harvard, nos Estados Unidos, Chico Lopes fundou o programa de pós-graduação do Departamento de Economia da PUC-Rio no final dos anos 1970.

Participou da elaboração do Plano Cruzado, em 1986, e do Plano Bresser, em 1988. Também teve passagens pelo governo, como sua atuação no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 1979.

Embora não tenha integrado o governo Itamar Franco, foi consultado pela equipe responsável pelo Plano Real, em 1994, sobre as medidas que estabilizariam a hiperinflação. Era o próximo dos economistas Edmar Bacha e Pedro Malan, ambos convidados por Lopes para o Departamento de Economia da PUC-Rio nos anos 1970.

No início do governo Fernando Henrique Cardoso, Lopes contribuiu de medidas fundamentais para a consolidação do Plano Real e o controle da inflação.

Chegou à diretoria do Banco Central a convite de Persio Arida, com quem trabalhou no Plano Cruzado. Na gestão Arida, foi o primeiro diretor de Política Econômica do BC. Depois, assumiu a diretoria de Política Monetária sob Gustavo Loyola, integrando o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável pela definição da taxa básica de juros (Selic), que se tornou o principal instrumento de controle da inflação a partir do regime de metas, implementado em 1999, já na gestão de Armínio Fraga, sucessor de Lopes.

“A criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real, para que fosse estabelecida, de fato, uma política monetária”, afirmou Lopes em depoimento à coleção do BC, em 2019.

Após a crise da maxidesvalorização do real, em 1999, e a saída de Gustavo Franco da presidência do BC, Lopes substituiu interinamente o comando da instituição. Ele tentou conter a desvalorização do real com o modelo de bandas diagonais exógenas, mas acabou sendo substituído por Armínio Fraga, que implantou o regime de metas de inflação no país.

A ligação da família Lopes com a história do Brasil é antiga. Seu pai, Lucas Lopes, foi ministro da Fazenda no governo Juscelino Kubitschek, de 1958 a 1959. O irmão mais velho, Rodrigo Paulo de Pádua Lopes, foi casado com Maria Estela Kubitschek, filha de Juscelino.

Chico Lopes deixa como viúva, Araci Benites dos Santos Pugliese, com quem foi casado há quase 50 anos, uma filha e duas netas.

Apesar da trajetória acadêmica e técnica, Lopes ficou mais conhecido do grande público pelo episódio do escândalo Marka Fonte Cindam, em 1999, quando presidência do Banco Central.

Matéria em atualização