Finanças
Herdeiros do império Ray-Ban travam 'guerra bilionária' pelo controle da holding familiar
Disputa judicial pode atrasar acordo de quase R$ 60 bilhões envolvendo a dona da EssilorLuxottica
Uma nova batalha judicial ameaça mergulhar o império da família Del Vecchio em mais uma disputa bilionária. Um dos herdeiros ligados ao fundador da Ray-Ban contestou, na Justiça de Luxemburgo, o processo que aprovou um acordo de cerca de 10 bilhões de euros — aproximadamente R$ 60 bilhões — para reorganizar o controle da holding familiar Delfin, principal acionista da EssilorLuxottica.
Segundo fontes próximas ao caso, Rocco Basilico, filho da viúva do bilionário Leonardo Del Vecchio, entrou com ação judicial alegando irregularidades na votação que autorizou a transferência de participação dentro da holding.
A disputa gira em torno do controle futuro da Delfin, empresa criada por Leonardo Del Vecchio para administrar os investimentos da família. A holding detém quase um terço da EssilorLuxottica, maior companhia de óculos do mundo e proprietária de marcas como Ray-Ban e Oakley, além de participações em instituições financeiras italianas.
O centro do conflito é a tentativa de Leonardo Maria Del Vecchio, um dos herdeiros, de ampliar sua influência dentro da holding ao adquirir as participações de dois irmãos, Luca e Paola Del Vecchio. A operação foi aprovada na assembleia realizada em 27 de abril, mas Basilico alegou que a votação realizada foi incorreta.
De acordo com a contestação, a transferência de ações para terceiros exigia aprovação superior a 88% dos votos, conforme o estatuto da Delfin. No entanto, a aprovação ocorreu com base em maioria de 75%.
Como Basilico detém 12,5% dos direitos de voto da holding, sua oposição seria suficiente para bloquear a operação caso o quórum mais elevado fosse aplicado. Os herdeiros agora solicitam que a Justiça de Luxemburgo anule todas as decisões tomadas na assembleia.
Além da disputa acionária, a ação também questiona mudanças na política de dividendos da holding. Segundo relatos, a nova estrutura prevê distribuição mínima de 80% do lucro líquido anual entre 2025 e 2027 após a conclusão da operação — medida que poderia favorecer Leonardo Maria na aquisição das participações dos irmãos.
Se o acordo de suspensão, Leonardo Maria Del Vecchio passar a deter 37,5% da Delfin, tornando-se o maior acionista individual da holding. A disputa intensifica a tensão na sucessão do império construído por Leonardo Del Vecchio, falecido em 2022 e considerado um dos empresários mais influentes da Itália.
A EssilorLuxottica consolidou-se como uma das empresas mais estratégicas do setor de tecnologia investível nos últimos anos, especialmente após uma parceria com a Meta Platforms para o desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial.
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