Finanças
Governo inclui 169 novos nomes na 'lista suja' do trabalho escravo; Amado Batista e BYD estão entre eles
Com a atualização, total de empregadores no cadastro chega a 613; inclusão não implica, necessariamente, resgate de trabalhadores.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) acrescentou 169 novos empregadores à chamada "Lista Suja" do trabalho escravo — o Cadastro de Empresas que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. Entre os nomes incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD. Com a atualização, o total de empresas e pessoas físicas no documento chega a 613. Os casos registrados não envolvem, obrigatoriamente, resgates de trabalhadores.
Divulgado semestralmente, o cadastro tem como objetivo dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo, reunindo informações de operações realizadas pela Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e, eventualmente, outras forças policiais.
A inclusão de nomes na lista só ocorre após a conclusão de processo administrativo. Os empregadores permanecem no cadastro por dois anos, podendo ser retirados antes desse prazo caso firmem acordo de regularização com o MTE, passando então a figurar em uma lista de observação.
Entre os novos nomes está o do cantor Amado Batista, autuado em duas ocasiões em 2025, nos meses de agosto e novembro, no município de Goianápolis (GO). As autuações referem-se ao Sítio Esperança, com dez trabalhadores, e ao Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores.
A montadora BYD também passou a figurar no cadastro após operação realizada em dezembro de 2024, quando o MPT resgatou 163 operários em condições degradantes em Camaçari (BA), região metropolitana de Salvador. Os trabalhadores atuavam para a empresa Jinjiang, uma das empreiteiras contratadas pela BYD para construir sua primeira fábrica no Brasil.
Na ocasião, autoridades interditaram alojamentos e áreas do canteiro de obras da fábrica de automóveis, localizada no mesmo terreno onde funcionou uma unidade da Ford. Em nota, a BYD informou que rompeu o contrato com a terceirizada envolvida e colabora com as investigações dos órgãos fiscalizadores.
Procurada, a assessoria de Amado Batista afirmou que não houve resgate de trabalhadores em suas propriedades e que todos os funcionários seguem trabalhando normalmente.
Segundo comunicado, uma fiscalização em uma fazenda arrendada pelo cantor identificou irregularidades na contratação de quatro trabalhadores por uma empresa terceirizada. Neste caso, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT, e todas as obrigações trabalhistas foram quitadas. "Já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação", diz a nota.
Sobre o caso envolvendo dez trabalhadores, não citado na resposta ao jornal, a assessoria limitou-se a afirmar que "o caso não existe".
A BYD não se manifestou até o fechamento desta edição.
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