Finanças
Quanto custa viver no Rio de Janeiro? Pesquisa mostra que estado não é o mais caro do país
Estudo revela ainda quanto os moradores do Rio desembolsam por mês e quais despesas mais pesam no orçamento. EXTRA mostra como organizar as finanças e reduzir gastos
Para viver no Rio de Janeiro, é preciso desembolsar, em média, R$ 3.340 por mês, segundo uma pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com o Opinion Box. O valor está abaixo da média mensal nacional, estimada em R$ 3.520, e também é inferior ao gasto médio registrado no Distrito Federal e em estados como Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Tocantins. Ainda assim, viver em terras fluminenses custa mais do que o dobro do salário mínimo (R$ 1.621).
— Olhando o salário mínimo brasileiro, o custo de vida está acima da média do que o brasileiro ganha minimamente. A gente vê que as pessoas precisam fazer uma renda extra para complementar (o orçamento) — avalia Gabriela Siqueira, especialista da Serasa em educação financeira.
A pesquisa, que ouviu 6.063 pessoas de 22 de dezembro a 6 de janeiro em todo o país, considerou diversas categorias, como transporte, saúde, educação e lazer. Despesas com supermercado, contas recorrentes e moradia concentram 57% dos gastos dos brasileiros. Segundo a Serasa, além de prioritárias, essas despesas são consideradas as mais difíceis de manter em dia.
No Estado do Rio, além dessas despesas, destacam-se os gastos com transporte, com média de R$ 340, educação (R$ 570) e saúde e atividade física (R$ 550) — valor acima da média nacional, de R$ 540.
Diante desse cenário, com cada vez mais despesas fixas, as famílias precisam redobrar a atenção e ter planejamento financeiro. Ainda assim, o levantamento mostra que apenas 19% dos entrevistados afirmam considerar fácil gerenciar os pagamentos e as despesas do dia a dia.
Renan Diego, consultor financeiro e autor do livro “Produtividade financeira”, explica que compreender esses gastos é fundamental para manter o controle das finanças e tomar decisões conscientes.
— Ao saber exatamente quanto se gasta com moradia, alimentação, transporte, saúde e lazer, a pessoa consegue identificar quais despesas são essenciais e quais podem ser reduzidas ou ajustadas. Esse conhecimento evita endividamentos, ajuda no planejamento de metas e proporciona mais segurança diante de imprevistos — diz o especialista.
A pedido do EXTRA, o consultor listou dicas de como organizar a vida financeira para conseguir reduzir gastos e economizar (veja abaixo).
Supermercado e moradia
A moradia e as compras de alimentos estão entre os principais gastos mensais do brasileiro, e, no Rio, não é diferente. As despesas ligadas à habitação somam, em média, R$ 1.060 por mês, enquanto os gastos com supermercado chegam a R$ 850.
Na avaliação de Leonardo Schneider, vice-presidente de Locação e Comercialização Imobiliária do Secovi-Rio, a habitação sempre ocupou uma parcela do orçamento das famílias, seja pelo financiamento, aluguel, condomínio ou impostos. Segundo ele, há um movimento gradual de busca por imóveis menores, impulsionado, entre outros fatores, pela tentativa de reduzir despesas:
— Hoje, cada vez mais, vemos pessoas procurando apartamentos menores, que geram menos custos.
Da mesma forma, a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) reconhece que o custo da alimentação no domicílio sempre foi um componente relevante no orçamento das famílias. A entidade destaca, porém, que os preços pagos pelo consumidor não são definidos apenas pelas redes, mas envolve também fatores como custos logísticos, tributação e câmbio. Em nota, a Asserj ressaltou que, em conjunto com seus associados, continua trabalhando para “equilibrar competitividade, oferta e preço, com foco em aliviar, tanto quanto possível, a carga sobre o orçamento das famílias fluminenses”.
Opinião de quem vive no Rio
‘O que mais pesa são alimentos e transporte’
Depoimento da professora Anna Beatriz Cavalcanti, de 25 anos
"Eu moro em Irajá com o meu noivo. Comparado a outros bairros, acredito que o custo de vida aqui é mais barato, o que mostra um certo padrão quando se observa a localização mais afastada do Centro da cidade em relação a lugares onde já morei (como Rio Comprido e Rocha). O que mais pesa no meu orçamento hoje são a alimentação e o transporte. Considerando a distância entre Irajá e Zona Sul e Centro, que é onde costumo trabalhar e estudar, depender exclusivamente do metrô gera um impacto maior na organização financeira, devido ao custo da passagem. Eu já tinha uma ideia dos gastos, mas nos bairros anteriores eu conseguia usar os ônibus com mais facilidade. Hoje em dia, ainda que existam algumas opções para fazer o mesmo trajeto de ônibus, eles tomam mais tempo do meu dia".
Mudança não é opção
Mesmo diante do peso do custo de vida, a mudança de cidade ainda não é vista como alternativa para a maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa, apenas um em cada dez entrevistados considera se mudar neste ano com o objetivo de reduzir as despesas mensais.
— Os dados reforçam que o principal desafio está mais relacionado à reorganização do orçamento do que à mobilidade geográfica — afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
Para o consultor financeiro Renan Diego, é possível organizar a vida financeira e reduzir despesas mesmo sem mudar de cidade. Ele destaca que também é viável manter a qualidade de vida sem comprometer toda a renda:
— A qualidade de vida não está ligada apenas a gastar mais, mas também a usar o dinheiro de forma consciente, equilibrando as necessidades e o lazer com o orçamento.
Como se organizar para economizar
Mapeie seus gastos - Anote todas as despesas, desde moradia e contas fixas até alimentação, transporte, lazer e pequenos gastos diários. Isso ajuda a entender para onde o dinheiro está indo.
Separe despesas fixas e variáveis - Para entender o que é possível cortar para desafogar o orçamento, é preciso separar os gastos. Nos fixos, se encaixam despesas como aluguel, condomínio e internet. Já os variáveis são aqueles relacionados a lazer, delivery e compras extras.
Compare gastos com sua renda - Se as despesas estiverem muito próximas ou acima da sua renda, é sinal de alerta. O ideal é que sobre uma parte para reserva e imprevistos.
Defina prioridades - É importante se perguntar: o que é essencial? O que pode ser reduzido? Pequenos ajustes, como diminuir assinaturas de serviços, já ajudam a adequar o orçamento.
Estabeleça metas - Pode ser criar uma reserva de emergência, quitar dívidas ou guardar dinheiro para um objetivo. Ter metas ajuda a manter o foco.
Crie uma reserva - Sobrou algum dinheirinho? Guardar o equivalente a pelo menos seis meses dos custos essenciais traz segurança e evita endividamento.
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