Finanças

Lula demonstra otimismo por acordo com EUA após novas tarifas de Trump

Na Índia, presidente reforça prioridade no combate ao crime organizado em visita prevista a Washington no próximo mês

Agência O Globo - 22/02/2026
Lula demonstra otimismo por acordo com EUA após novas tarifas de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo estar confiante na possibilidade de fechar um acordo com os Estados Unidos durante a visita que pretende realizar ao país no próximo mês. Mesmo após o anúncio de novas tarifas globais de 15% pelo presidente Donald Trump, Lula declarou em entrevista na Índia que acredita ser do interesse mútuo encontrar um consenso.

Lula evitou comentar a decisão da Suprema Corte americana, que suspendeu a aplicação de tarifas recíprocas pelo governo Trump. Em resposta, Trump anunciou tarifas globais de 15%, que, em tese, não afetam diretamente a competitividade das exportações brasileiras, pois atingem todos os países. O presidente brasileiro destacou que há sinais de resistência em alguns setores do governo americano, motivo pelo qual busca negociar diretamente com Trump.

— Estou convencido de que, no diálogo, a relação Brasil-EUA voltará à normalidade. Ambos têm interesse. Se algum produto brasileiro for taxado, isso pode gerar inflação nos Estados Unidos e prejudicar o povo americano, e eles sabem disso — afirmou Lula. — Quero também deixar claro ao presidente Trump que não desejamos uma nova guerra fria, nem preferências por qualquer país. Buscamos relações igualitárias com todos.

Lula reiterou que pretende dar ênfase à cooperação no combate ao crime organizado durante sua visita aos EUA. Segundo ele, essa é uma de suas prioridades na política externa, tanto que tem levado em suas viagens internacionais o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A declaração foi dada em entrevista coletiva que marcou o encerramento da visita de quatro dias à Índia, com a presença de Rodrigues na comitiva oficial. Em dezembro, Lula já havia mencionado, em telefonema a Trump, o pedido para que autoridades americanas enviem ao Brasil "chefes do crime" refugiados nos EUA.

— Se o governo americano estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente para eliminar esse problema. Inclusive, solicitamos que enviem ao Brasil os criminosos que estão lá, especialmente brasileiros envolvidos em contrabando de gasolina, para mostrarmos nosso compromisso sério no combate ao crime organizado — disse Lula. — Qualquer ação que contribua para punir os grandes corruptos, estamos dispostos a apoiar.

Lula classificou a visita à Índia como “um marco” nas relações com o país asiático, destacando a reafirmação da parceria estratégica com o governo do primeiro-ministro Narendra Modi e a assinatura de acordos, incluindo cooperação no processamento de minerais críticos e na área digital.

— O mais importante é que, ao negociar com a Índia, não lidamos com um colonizador. Negociações com países ricos, acostumados ao colonialismo, tendem ao autoritarismo, desconsiderando as especificidades nacionais e impondo a lei do mais forte. Com a Índia é diferente — afirmou Lula. — Somos dois países necessitados, ninguém é superior ao outro.