Finanças
Auditoria aponta ausência de laudo sobre valor de resort visitado por Toffoli
Análise técnica indica que não há comprovação dos números apresentados pelo fundo, como o patrimônio líquido
Auditorias independentes realizadas no fundo de investimento responsável pela compra de parte da participação de dois irmãos de Toffoli identificaram a falta de documentação que ateste o "valor justo" do resort envolvido na operação.
Os auditores constataram ausência de laudos e demonstrações contábeis que comprovassem o patrimônio do fundo. Nas demonstrações financeiras mais recentes, referentes ao período de dezembro de 2024 a maio de 2025, o fundo declara um patrimônio líquido de R$ 34,6 milhões.
No entanto, os auditores contratados emitiram uma “abstenção de opinião”, procedimento adotado quando não é possível confirmar os dados apresentados, seja por falta de informações ou dificuldade de acesso aos documentos.
Em um dos relatórios, a auditoria relata não ter obtido acesso ao laudo de avaliação "ao valor justo da investida", ou seja, do resort. "Como consequência, não nos foi possível concluir de forma satisfatória quanto à adequação do saldo apresentado, nem sobre possíveis distorções que poderiam impactar as demonstrações financeiras", diz o documento.
Observações semelhantes e a emissão de abstenção de opinião também ocorreram em balanços referentes aos períodos de dezembro de 2023 a maio de 2024, dezembro de 2022 a maio de 2023 e dezembro de 2021 a maio de 2022.
A abstenção de opinião é uma situação incomum em auditorias, sendo menos grave apenas que a opinião “adversa” – esta, emitida quando há certeza de erros relevantes nos números apresentados.
O fundo, criado em 2021, é administrado pela Reag, gestora investigada por fraudes envolvendo o Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero, e que foi liquidada pelo Banco Central.
Como revelou O Globo, o pagamento de diárias para seguranças do STF soma 128 dias de viagens em feriados, finais de semana prolongados e durante o recesso do Judiciário para a região do resort frequentado por Toffoli, em Ribeirão Claro (PR). O custo total dessas diárias foi de R$ 460 mil.
Os dados têm como base registros do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), que apontam viagens entre 2022 e 2025 à cidade, com o objetivo de apoiar a segurança de autoridades do STF, atendendo a solicitações do próprio Supremo. O TRT-2, entretanto, não divulga o nome do ministro atendido em cada deslocamento.
Situado à beira de uma represa e considerado um destino de luxo, o resort Tayayá está no centro de uma crise envolvendo a atuação do ministro do Supremo nas investigações sobre o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Toffoli é o relator do caso, que atinge diretamente Daniel Vorcaro, proprietário do banco.
Reportagens da "Folha de S.Paulo" e do "Estado de S.Paulo" revelaram que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel (alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, na semana passada), está por trás de uma rede de fundos de investimentos geridos pela Reag.
Segundo as publicações, por meio de um desses fundos, Zettel adquiriu, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá. Na época, a participação estava avaliada em R$ 6,6 milhões. A Maridt, empresa dos irmãos do ministro, passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio. Um dos irmãos de Toffoli administrava o resort naquele período.
Mais lidas
-
1DIREITOS TRABALHISTAS
Quando é o quinto dia útil de janeiro de 2026? Veja as datas de pagamento
-
2BALANÇO DO RECESSO JUDICIAL
Violência contra a mulher representa quase metade dos processos no Plantão Judiciário durante recesso
-
3TRABALHO
Calendário de 2026 concentra feriados em dias úteis e amplia impacto sobre a gestão do trabalho
-
4ABONO SALARIAL
PIS/Pasep 2026: confira o calendário de pagamentos e saiba quem tem direito ao benefício
-
5TRIBUTOS MUNICIPAIS
IPTU 2026: saiba quais imóveis no Rio de Janeiro ficam isentos do imposto neste ano