Finanças
FMI eleva novamente a projeção de crescimento do Brasil neste ano, agora para 2,4%
Em julho, economistas do Fundo já haviam subido as estimativas para 2,3%. Para o crescimento global, as projeções foram ligeiramente revistas para cima, mas ainda sofrem com instabilidade global
O Fundo Monetário Internacional () elevou a projeção de crescimento econômico do Brasil em 2025 para 2,4%, em relatório da equipe econômica divulgado nesta terça-feira. Antes, . Para a economia global, o avanço foi revisto de 3% para 3,2%.
Economia criativa:
Entenda:
A expectativa do Fundo está acima do Boletim Focus, pesquisa do Banco Central (BC), que compila projeções de analistas de mercado. No último boletim, divulgado nesta segunda-feira, a estimativa de crescimento para 2025 ficou em de 2,16%. A visão otimista ainda reflete o crescimento econômico maior que o esperado no primeiro trimestre deste ano, quando a produção agrícola bateu recorde, puxando o para cima.
No entanto, segundo o relatório do FMI, ainda que economias emergentes tenham se mostrando mais resilientes que o esperado no início ano, o consumo está sendo contido nesses países, além de enfraquecimento dos investimentos, o que estaria "em consonância com a confiança deprimida de consumidores e empresas".
Nobel de economia:
"O desempenho econômico mais forte do que o previsto reforça uma tendência mais geral de resiliência nos mercados emergentes, que tem origem em melhorias nas instituições domésticas e em condições externas favoráveis. No entanto, as condições externas estão se tornando mais desafiadoras e, em alguns casos, o dinamismo doméstico está desacelerando. No Brasil, por exemplo, já surgem sinais de moderação em meio a políticas monetária e fiscal restritivas", diz o relatório.
Na sua última reunião, em setembro deste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, em 15%, patamar já consideravelmente elevado, que vem restringindo o consumo e as concessões de crédito no país.
Segundo os economistas do FMI, as tarifas mais altas impostas pelos Estados Unidos também estão contribuindo para reduzir a demanda externa, com fortes impactos em economias voltadas à exportação, enquanto a incerteza elevada em torno das políticas comerciais tem enfraquecido o apetite das empresas por investimento.
Isso acontece ao passo em que incentivos fiscais do governo federal vêm sendo cada vez mais limitados, o que reduz a capacidade de impulsionar a demanda interna.
As tarifas mais altas às exportações do Brasil para os EUA são, inclusive, motivo para o Fundo ter revisado as projeções de 2026 para baixo, a despeito do número maior para 2025. No relatório de julho, os economistas esperavam um crescimento de 2,1% no ano que vem, que foi revisado para 1,9%.
Crescimento global engatinhando com incerteza
As incertezas crescentes nas relações comerciais entre os países também devem impedir um maior crescimento global, segundo os economistas do FMI. Embora tenham revisado as projeções para 2025 ligeiramente para cima, saindo de 3% no relatório de julho para estimativa de 3,2%, o cenário ainda é apontado como desfavorável.
"A resiliência inesperada da atividade econômica e a resposta moderada da inflação refletem — além do fato de que o choque tarifário acabou sendo menor do que o inicialmente anunciado — uma série de fatores que proporcionam um alívio temporário, em vez de revelarem uma força subjacente nos fundamentos econômicos", diz o relatório.
No entanto, os economistas apontam que a incerteza da política comercial permanece elevada devido à ausência de acordos claros, transparentes e duradouros entre parceiros comerciais. Essa incerteza desestimula o apetite das empresas por investimento, o que dificuldade o crescimento.
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