Esportes
Fair play financeiro expõe pendências salariais em metade dos clubes das Séries A e B
Vinte clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro declararam atrasos salariais ou outras pendências financeiras até junho de 2026, segundo levantamento da Anresf. A lista inclui nove equipes da elite e 11 da segunda divisão.
Vinte dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro informaram ter pagamentos atrasados a jogadores ou funcionários até 30 de junho de 2026. Os dados representam metade das equipes das duas principais divisões nacionais e evidenciam as dificuldades financeiras enfrentadas por parte do futebol brasileiro.
As informações foram divulgadas pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), por meio de um painel de acompanhamento financeiro que reúne dados declarados pelos próprios clubes. O levantamento amplia o debate sobre a necessidade de maior controle administrativo e transparência nas contas das equipes.
Entre os débitos considerados estão salários registrados em carteira, direitos de imagem e bônus previstos em contrato. Os dados correspondem às obrigações vencidas até o fim de junho de 2026, conforme as declarações apresentadas pelos clubes no período de acompanhamento.
Clubes das Séries A e B aparecem na lista
Na Série A, nove dos 20 participantes declararam atrasos nos pagamentos. São eles: Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, Santos, São Paulo e Vitória.
Na Série B, outros 11 clubes informaram pendências financeiras: América-MG, Atlético-GO, Avaí, Ceará, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Náutico, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.
A presença de equipes tradicionais entre os clubes que relataram débitos mostra que o problema não está restrito a organizações de menor porte. Times com grandes torcidas, receitas relevantes e participação frequente em competições nacionais também aparecem no levantamento.
É importante destacar que a declaração de atraso não significa necessariamente que todos os jogadores de um clube estejam sem receber ou que os pagamentos continuem pendentes atualmente. O levantamento considera as obrigações vencidas na data de referência, e algumas dívidas podem ter sido quitadas posteriormente.
Clubes enfrentam cobranças para regularizar dívidas
A situação financeira de algumas equipes também passou a ser analisada pela Anresf em procedimentos relacionados ao cumprimento das regras de sustentabilidade financeira. Entre os casos recentes estão Grêmio e Internacional, que receberam prazo de 15 dias para comprovar a regularização de dívidas, sob pena de multa de R$ 100 mil.
O Náutico também foi penalizado com multa de R$ 50 mil, cuja cobrança está condicionada à ausência de comprovação do pagamento dentro do prazo estabelecido pela agência.
As medidas fazem parte do processo de implementação das regras de fair play financeiro no futebol brasileiro. O objetivo é estimular o cumprimento das obrigações financeiras, reduzir o acúmulo de dívidas e evitar que os clubes assumam compromissos que não conseguem honrar.
Outras equipes também foram notificadas por irregularidades, mas apresentaram comprovantes de pagamento dentro do prazo de defesa, antes do julgamento dos respectivos casos.
Fair play financeiro amplia a fiscalização
O painel da Anresf permite acompanhar diferentes tipos de obrigações financeiras, incluindo pagamentos a atletas e funcionários, dívidas relacionadas a transferências e compromissos com o poder público. A plataforma integra o sistema de sustentabilidade financeira adotado para monitorar os clubes das duas principais divisões nacionais.
A fiscalização ganhou importância em meio às discussões sobre o endividamento do futebol brasileiro. Além dos atrasos salariais, os clubes precisam administrar despesas operacionais, contratos de atletas, investimentos em contratações e compromissos acumulados ao longo de várias temporadas.
O regulamento prevê novas declarações financeiras ao longo do ano. Depois do levantamento baseado nos dados de junho, a próxima janela de autodeclaração está prevista para 30 de novembro de 2026.
A atualização deverá ajudar a identificar quais clubes conseguiram regularizar suas pendências e quais continuam enfrentando dificuldades para cumprir os compromissos assumidos.
Com o avanço da fiscalização, os clubes terão de demonstrar maior controle sobre suas receitas, despesas e obrigações contratuais. A regularização dos débitos e a transparência nas informações serão fundamentais para evitar novas sanções e fortalecer a credibilidade das instituições.
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