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China lidera normas globais para interfaces cérebro-computador
Iniciativa estratégica visa aumentar influência no setor BCI
A China assumiu a liderança da padronização global das interfaces cérebro-computador por meio do subcomitê ISO/IEC responsável pelas normas do setor, reforçando a aposta estatal em uma tecnologia estratégica que Pequim quer transformar em um mercado de escala global e usar para ampliar sua vantagem sobre EUA e Europa.
A China ampliou sua influência no setor de interfaces cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês) ao assumir a liderança da padronização internacional dessa tecnologia. O país passou a comandar a secretaria do subcomitê ISO/IEC JTC 1/SC 43, responsável por elaborar normas globais para a comunicação entre cérebros e computadores, ao mesmo tempo em que incorporou a área entre as prioridades estratégicas de desenvolvimento nacional.
O subcomitê, presidido por Yu Yuntao, diretor técnico do Instituto de Padronização Eletrônica da China, trabalha na definição de regras aplicáveis a diferentes setores que utilizam BCIs. Entre os documentos já publicados estão padrões para vocabulário técnico, formatos de dados obtidos por métodos não invasivos, arquiteturas de referência e casos de uso da tecnologia.
Especialistas consultados pelo South China Morning Post, avaliam que a liderança chinesa na elaboração dessas normas pode gerar vantagens econômicas e tecnológicas relevantes.
Para Xiaomeng Lu, diretora de geotecnologia do Eurasia Group, Pequim aposta no setor como um potencial mercado de grande escala, comparável ao de veículos elétricos, enquanto os padrões da ISO tendem a influenciar diretamente a competitividade global das empresas do segmento.
Em mais um sinal de apoio estatal, órgãos centrais do Partido Comunista e do Conselho de Estado divulgaram recentemente uma diretriz conjunta destinada a acelerar a industrialização e a comercialização das BCIs.
A estratégia chinesa busca antecipar-se aos Estados Unidos e à Europa na corrida tecnológica. De acordo com a analista Altynay Junusova, do MERICS, o protagonismo na formulação das normas da ISO pode permitir à China influenciar as bases sobre as quais futuras tecnologias BCI serão desenvolvidas.
O avanço da indústria já produz resultados concretos. Em julho, a empresa Neuracle Medical Technology, de Xangai, realizou a primeira cirurgia comercial do mundo com tecnologia BCI. Enquanto isso, especialistas observam que Washington ainda dedica atenção limitada ao setor, priorizando áreas mais consolidadas, como semicondutores e inteligência artificial (IA).
Segundo projeções do Centro Chinês para o Desenvolvimento da Indústria da Informação, o mercado chinês de BCIs poderá alcançar 6,14 bilhões de yuans (cerca de R$ 4,6 bilhões) até 2028, com crescimento anual composto de 17,7% entre 2024 e 2028.
Por Sputinik Brasil
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