Esportes
12 clubes do Brasileirão têm atrasos de pagamentos e quatro correm risco de transfer ban
A Anresf identificou pendências financeiras em 12 clubes da Série A em 2026. São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Internacional têm 45 dias para quitar dívidas.
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), identificou pendências financeiras envolvendo 12 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2026. As decisões fazem parte da implementação do sistema de fair play financeiro no futebol brasileiro e incluem advertências públicas, prazos para regularização de dívidas e a possibilidade de punições mais severas para algumas equipes.
Entre os clubes que receberam as sanções mais rigorosas estão São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Internacional. As quatro equipes têm 45 dias para quitar determinadas obrigações financeiras referentes a 2026. Caso não cumpram as exigências dentro do prazo, poderão sofrer um transfer ban, medida que impede o registro de novos jogadores.
Além deles, Corinthians, Botafogo, Vitória, Santos, Remo e Vasco também receberam advertências. Athletico-PR e Coritiba, por sua vez, tiveram seus processos arquivados após a análise das respectivas situações financeiras.
São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Internacional têm prazo para pagar dívidas
Os quatro clubes que receberam prazo de 45 dias precisam regularizar pendências específicas relacionadas a obrigações financeiras assumidas em 2026. As dívidas envolvem compromissos com outros clubes e, em alguns casos, obrigações relacionadas a jogadores e tributos.
O São Paulo foi advertido por uma dívida com o São José. O processo também identificou questões relacionadas a débitos com outras equipes, incluindo uma pendência anterior com o Novorizontino que não havia sido informada adequadamente.
No caso do Atlético-MG, a análise envolveu obrigações com Bahia e Santos. A agência não aceitou algumas justificativas apresentadas pelo clube sobre acordos e negociações tributárias, por entender que não estavam formalizadas nos prazos exigidos pelo regulamento.
O Grêmio teve pendências analisadas envolvendo Capivariano e Votuporanguense. Além do prazo para regularização de determinadas dívidas, o clube recebeu uma exigência específica relacionada a um débito com um atleta, cuja quitação deverá ocorrer em 15 dias úteis, sob risco de multa de R$ 100 mil.
Já o Internacional foi advertido por pendências com Athletico-PR e Juazeiro. O clube também recebeu prazo de 15 dias úteis para quitar uma obrigação com um jogador não identificado publicamente, igualmente sob risco de multa de R$ 100 mil.
Corinthians e Santos regularizaram pendências para evitar punições maiores
Corinthians e Santos também apareceram entre os clubes analisados pela Anresf, mas conseguiram afastar o risco imediato de sanções mais severas após comprovar pagamentos de obrigações financeiras referentes a 2026.
O Corinthians regularizou um pagamento pendente ao Fortaleza. Mesmo assim, recebeu advertência pública por questões tributárias e pela falta de documentação comprobatória de determinadas obrigações anteriores.
O Santos, por sua vez, quitou pendências relacionadas a direitos de imagem e encargos do FGTS depois da data de corte estabelecida pela fiscalização. A regularização permitiu evitar multas e outras medidas mais rigorosas previstas inicialmente no procedimento.
Esses casos demonstram que a existência de uma pendência financeira não resulta automaticamente em bloqueio de registros. A consequência depende da natureza da dívida, do período em que foi contraída, da comprovação dos pagamentos e do cumprimento das regras estabelecidas pelo sistema de fair play financeiro.
Botafogo, Vasco, Vitória e Remo também recebem advertências
Outros quatro clubes da Série A foram advertidos por questões relacionadas principalmente a obrigações tributárias e à apresentação de informações financeiras.
O Botafogo, que está em recuperação judicial, foi orientado a regularizar tributos federais de 2026, mesmo diante das negociações em andamento com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
O Vasco também recebeu advertência por não declarar determinadas obrigações tributárias federais, posteriormente incluídas em parcelamento. A condição de recuperação judicial, por si só, não elimina a necessidade de cumprir as exigências do regulamento.
O Vitória foi advertido por débitos referentes a 2026, enquanto o Remo recebeu sanção relacionada a impostos federais vencidos. No caso do Remo, a intenção de negociar os valores não foi considerada suficiente para afastar a caracterização do atraso.
Athletico-PR e Coritiba completam a lista dos 12 clubes analisados. Apesar de terem apresentado pendências na data de corte, os processos foram arquivados após a avaliação das situações específicas de cada equipe e das comprovações apresentadas.
O que é o fair play financeiro e quais são as consequências?
O sistema de fair play financeiro busca aumentar a responsabilidade econômica dos clubes brasileiros, estabelecendo regras para o cumprimento de obrigações e a prevenção de atrasos. A Anresf é responsável por fiscalizar o cumprimento dessas exigências e julgar os casos de possíveis irregularidades.
Entre as obrigações monitoradas estão pagamentos a outros clubes, compromissos com jogadores e integrantes das comissões técnicas, além de encargos e tributos públicos. A fiscalização considera também quando as dívidas foram contraídas e se os clubes apresentaram comprovações de pagamento ou acordos formalizados.
O transfer ban é uma das medidas previstas para situações específicas de descumprimento. Na prática, o clube impedido não pode registrar novos atletas enquanto a restrição estiver vigente, o que pode comprometer o planejamento de contratações e a montagem do elenco para as próximas janelas de transferências.
No caso de São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Internacional, o prazo concedido representa uma oportunidade para regularizar as obrigações apontadas antes da aplicação de uma eventual proibição de registros. As advertências, portanto, não significam que os quatro clubes já estejam impedidos de contratar jogadores.
As decisões marcam mais uma etapa da implementação do controle financeiro no futebol nacional e reforçam a necessidade de os clubes manterem suas obrigações em dia para evitar consequências esportivas e administrativas.
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