Economia
Por que o dólar está em queda? Entenda os motivos por trás do recuo da moeda global
Em meio às incertezas políticas nos EUA e uma corrida histórica dos bancos centrais rumo ao ouro, o dólar perde força em 2026; Economista Sincero aponta janela de oportunidade para investidores brasileiros
O mercado financeiro global atravessa um momento de transição significativa. O dólar, que por décadas reinou absoluto como o porto seguro incontestável, enfrenta um ciclo de desvalorização que acende o alerta de investidores. Em fevereiro de 2026, a moeda norte-americana consolidou um recuo que a levou ao patamar de R$ 5,17 no dia 20/02 (o menor valor desde maio de 2024), acumulando uma queda 5,70% neste início de ano.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o cenário atual não deve ser visto com pânico, mas sim como estratégia. "2025 já não foi um ano bom para o valor do dólar, com uma queda acumulada de mais de 11%. Agora, estamos vendo o que eu considero uma janela de oportunidade para dolarizar patrimônio e comprar ativos fora", afirma Mendlowicz.
A queda da moeda norte-americana está intrinsecamente ligada à percepção de risco e às políticas da administração de Donald Trump. Embora o próprio presidente tenha declarado que o atual valor do dólar é positivo, o mercado financeiro reage com cautela à falta de clareza proposital em suas diretrizes.
"Existe uma má vontade muito grande do mercado financeiro com o Trump. Ele não é claro propositalmente sobre suas políticas, o que gera pressão no mercado", explica Charles. Ele ressalta, no entanto, que a queda do valor não significa perda de utilidade: "O dólar perdeu força como valor, não como utilização. É preciso separar as coisas para não fazer uma bagunça na cabeça do investidor".
Além do cenário interno americano, a expectativa de novos cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), atualmente na faixa de 3,5% a 3,75%, e a busca por oportunidades fora dos EUA têm impulsionado o redirecionamento de capital para outros mercados e ativos.
Ascensão do ouro como “novo” porto seguro
Um dos pontos mais críticos levantados por Mendlowicz é a mudança de comportamento dos bancos centrais globais. Pela primeira vez em décadas, o ouro ultrapassou os títulos públicos americanos (Treasurys) como a principal reserva dos bancos centrais.
Com o metal precioso rompendo a barreira histórica de US$ 5.000 por onça-troy em 2026, países como China, Índia, Polônia e o próprio Brasil têm intensificado a compra de ouro em detrimento do dólar. "O que estamos vendo é uma divisão do mundo em dois grandes blocos. O ouro vem ganhando relevância e até tirando o brilho de algumas ações", observa o economista.
Contudo, o Mendlowicz faz um alerta contra o otimismo exagerado com o metal: "Pode ter um componente de especulação no meio. Muita gente não queria ouro quando estava barato, e agora que está no recorde, todo mundo quer. É preciso cuidado para não cair em uma ratoeira do mercado".
O dólar vai acabar?
Apesar da retração, o Economista Sincero é enfático ao dizer que o fim do dólar como moeda padrão ainda está longe. Ele destaca que a moeda segue sendo a referência para o bloco ocidental e a principal ferramenta do comércio internacional.
"Internacionalizar o patrimônio reduz o risco da concentração em um só país. Quedas do dólar devem ser vistas como oportunidades estratégicas. O dólar sobe, bate recorde, o pessoal se desespera, e depois ele cai. É um ciclo que acompanho há 30 anos no mercado", conclui Mendlowicz.
Para o investidor brasileiro, o recuo da moeda para níveis próximos a R$ 5,20 representa, na visão de Charles, o momento ideal para fortalecer a proteção cambial e aproveitar ativos descontados no exterior antes que o ciclo se inverta novamente.
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