Economia

IBC-Br sustenta cenário de corte mais gradual de juros

Segue análise do Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, sobre o IBC-Br.

19/02/2026
IBC-Br sustenta cenário de corte mais gradual de juros
IBC-Br sustenta cenário de corte mais gradual de juros - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Primeiramente a queda de 0.2% de dezembro veio menos intensa do que aquela que projetávamos, em torno de 0.4. Especialmente no year-over-year o aumento de 3.1% foi acima do que os nossos 2.4 projetados. Isso implica um maior dinamismo no quarto trimestre do que aquele projetado antes dos dados sobre o quarto trimestre. A gente esperava uma desaceleração mais acentuada da economia no quarto trimestre, sobretudo nos itens mais sensíveis ao ciclo econômico, principalmente de serviço.

Nas últimas leituras, tanto do IBC-Br quanto nas pesquisas mensais, é que a atividade econômica tem sido sustentada pelos setores não cíclicos principalmente indústria extrativa e agro. Todavia há uma desaceleração mais acentuada nos ciclos. Porém a PMC de novembro, com um impulso importante principalmente os itens da Black Friday e a PMS resiliente de dezembro, fez com que o item de serviços do IBC-BR mostrasse alguma resiliência acima do esperado e, portanto, mantendo resiliência da atividade econômica no quarto trimestre.

A implicação prática dessa resiliência é que uma vez que a gente esperava uma desaceleração mais forte no quarto trimestre e agora no primeiro trimestre de 26 a gente espera um impulso de atividade econômica, principalmente dado a isenção do IRPF e a valorização real do salário mínimo, gera uma atividade mais forte do que esperava já no quarto tri e portanto para o primeiro trimestre partimos de um patamar mais alto e naturalmente reforça o cenário de cautela por parte do Banco Central na condução da política monetária.

A gente acredita que se a atividade mostra-se mais resiliente do que o esperado e agora no primeiro trimestre de 26 vai ter um impulso positivo sobre atividade, na nossa leitura, faz mais sentido cortar 0.25 na próxima reunião, diante de um cenário com uma desaceleração menos intensa da atividade econômica. Além disso o resultado do IBC-Br gera um viés de alta para a nossa projeção do PIB para o quarto trimestre. A gente tem 1,6% no year-over-year, porém esse resultado, principalmente com serviços mais forte, gera um viés de alta que deve fechar em 1.7%. Isso deve fazer com que em 2025 a atividade tenha crescido em torno de 2.2 ou 2.3%. Para 2026 o ponto de atenção deve ser principalmente o consumo das famílias, uma vez que vai ter um impulso diante do IRPF e da valorização do salário mínimo.