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Filme de amadurecimento sobre infância queer com Lázaro Ramos encanta Gramado: 'História que precisamos contar'

‘Feito pipa’, de Allan Deberton, abriu a mostra competitiva do evento

Agência O Globo - 16/08/2026
Filme de amadurecimento sobre infância queer com Lázaro Ramos encanta Gramado: 'História que precisamos contar'
Lázaro Ramos - Foto: Reprodução / Instagram

Um dia após apresentar “Antártida” na abertura do Festival de Cinema de Gramado, o ator Lázaro Ramos voltou a atravessar o tapete vermelho do evento neste sábado (15) com “Feito pipa”, filme de Allan Deberton, premiado no Festival de Berlim, que abriu a mostra competitiva do evento na Serra Gaúcha.

Na manhã deste domingo (16), Lázaro e Allan se reuniram para um debate com a imprensa. A conversa contou ainda com as presenças dos atores Yuri Gomes e Teca Pereira, os produtores Marcelo Pinheiro e Karen Castanho e o roteirista André Araújo.

Vencedor do Urso de Cristal no Festival de Berlim, o longa faz sua estreia no Brasil. A trama acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol que vive com a avó (Teca Pereira). Quando ela começa a demonstrar problemas de saúde, o menino faz de tudo para esconder a nova realidade para não ser obrigado a mudar para a casa do pai (Lázaro Ramos). Em Gramado, o diretor Allan Deberton retorna ao festival que o consagrou com “Pacarrete”, vencedor de oito Kikitos em 2019.

A trama de amadurecimento aborda um tema pouco explorado: a infância queer. O filme conquistou o público e foi muito aplaudido em sua exibição em Gramado.

— É um cinema que eu quero fazer que consegue acessar o público e contar histórias importantes. Foi um projeto difícil, por muito tempo senti que o mercado ainda tratava como tabu este assunto — comentou Allan Deberton.

Lázaro revelou que se interessou pela obra de Allan após assistir “Pacarrete” em Gramado, buscando a oportunidade de trabalhar com o realizador.

— Escolho meus projetos pelas pessoas que me inspiram. Quando vi “Pacarrete”, senti que queria estar próximo do Allan. Quando conheci o Yuri, um menino baiano preto, fiquei encantado. Muitas vezes escolho meus projetos para enviar mensagens ao mercado sobre as histórias que precisamos contar no cinema brasileiro. Não é só o roteiro que me atrai, são as histórias que precisam ser contadas — ressaltou Lázaro, que vive um pai que não sabe lidar com o filho. — É um personagem que poderia facilmente se tornar um estereótipo. Pensamos muito durante o processo onde nascia o amor e a violência dentro deste homem.

O roteirista André Araújo, natural do interior do Ceará como o diretor, explicou que se inspirou para criar a história após conhecer uma cidade no Rio Grande do Norte que foi inundada por uma barragem. Revelou que expôs em “Feito pipa” um sertão diferente do que vive: mais esperançoso.

— O Gugu não sou eu. Mas é a criança que eu gostaria de ter sido — disse o roteirista. — Queria ver crianças queers sendo representadas e contar a história de um sertão possível. É o filme que a minha criança teria gostado de ver e fiquei muito feliz em criar uma obra para que muitas crianças como a que eu fui se sintam representadas.

O jovem Yuri Gomes se tornou uma sensação imediata no evento ao interpretar o pequeno Gugu.

A veterana Teca Pereira comentou sobre a dificuldade de interpretar uma mulher em estado de saúde debilitada, fase da vida com a qual se identifica aos 74 anos.

— Foi um processo maravilhoso e muito delicado. Viver a Dilma foi um desafio próximo ao que é ser uma mulher cadeirante, que sofre com Alzheimer. Carrego comigo esse medo — confessou a atriz.

“Feito pipa” chega aos cinemas brasileiros no dia 24 de setembro.

O repórter viajou a convite do Festival de Cinema de Gramado.