Curiosidades

Colmar Diniz, referência da cenografia teatral, passa a residir no Retiro dos Artistas

Consagrado por trabalhos marcantes, como 'O Mistério de Irma Vap', profissional ocupa casa doada por Marieta Severo

Agência O Globo - 11/03/2026
Colmar Diniz, referência da cenografia teatral, passa a residir no Retiro dos Artistas
Colmar Diniz - Foto: Reprodução / Instagram

Colmar Diniz, um dos mais importantes cenógrafos da história do teatro brasileiro, é o novo morador do Retiro dos Artistas, instituição que acolhe profissionais das artes em situação de vulnerabilidade. O pernambucano, de 85 anos, passa a residir em uma casa doada pela colega Marieta Severo, uma das maiores apoiadoras do local, situado na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Trajetória estrelada

Formado em sociologia, Colmar Diniz decidiu ingressar nas artes cênicas após assistir à icônica montagem de "O Rei da Vela", com texto de Oswald de Andrade, realizada pelo Teatro Oficina, em São Paulo, em 1967. "Me encantei com aquilo. Me encantei como se fazia do que era o dia a dia terrível ou não terrível de pessoas numa obra de arte", relatou Colmar em entrevista à Funarte, órgão que abriga todo o acervo de cenários e figurinos do artista.

A partir desse momento, Colmar Diniz dedicou-se intensamente ao universo das artes cênicas, construindo uma trajetória que o consolidou como um dos grandes nomes da cenografia no teatro brasileiro.

Entre seus trabalhos mais emblemáticos está a assinatura cenográfica de 'O Mistério de Irma Vap'. O pernambucano foi responsável por toda a cenografia do espetáculo protagonizado por Marco Nanini e Ney Latorraca — marcado por dezenas de rápidas trocas de cenários e figurinos sob direção de Marília Pêra —, que arrebatou quase três milhões de espectadores em temporadas consecutivas por todo o país, de 1986 a 1997. A montagem entrou para o "Guinness" como a peça que ficou mais tempo em cartaz com o mesmo elenco, tornando-se um verdadeiro fenômeno.

Ao longo de décadas de trabalho, Colmar colaborou com diretores e companhias renomadas, como Amir Haddad e Aderbal Freire-Filho, desenvolvendo cenários que dialogavam profundamente com o conteúdo dramático das peças.

"Trabalhei com Marília Pêra, Henriette Morineau em seu penúltimo espetáculo... Essas pessoas sempre estudaram muito. Sérgio Britto também é uma pessoa com a qual trabalhei muito, e ele vivia estudando: acordava às 7h e ia ler. Isso me dá a ideia perfeita de que é preciso estudar. Sou muito careta nisso. Não há outra saída numa profissão que exige tanto conhecimento e pesquisa. É preciso estudar", refletiu Colmar sobre o ofício.