Curiosidades
Crítica: Harry Styles encara a maturidade e acerta em disco fiel a si mesmo
Quarto álbum solo do astro, ‘Kiss all the time. Disco, ocasionally’ encena com eletrônicas elegantes e pulsantes o diário de descobertas e jogos amorosos de um jovem adulto
Aos 32 anos, já distante dos tempos de One Direction, o cantor inglês Harry Styles demonstra que não é mais um jovem inexperiente. Ainda assim, permanece como um dos poucos pop stars capazes de arrastar multidões de todas as idades aos estádios. Diante do desafio de lançar seu quarto álbum solo, Styles opta pelo caminho mais arriscado: ser fiel a si mesmo.
Fidelidade à própria essência
"Kiss all the time. Disco, ocasionally", lançado nesta sexta-feira nas plataformas digitais, traduz com precisão o momento de maturidade do artista, que encara as encruzilhadas da vida adulta com serenidade e, como sugere seu sobrenome, muito estilo.
Eletrônica elegante e vulnerável
O álbum abre com uma faixa que tem vulnerabilidade, batidas pulsantes do underground e referências elegantes do rock e da música eletrônica. Essa combinação define o tom do disco, conduzindo o ouvinte a um novo Harry Styles, que se revela nas outras 11 faixas do trabalho.
“American girls” traz um clima mais introspectivo, mas ainda permeado pelo pop alternativo, enquanto “Ready,steady, go” aposta no eletropop oitentista com violão, ideal para o estilo sensual do cantor. O álbum ganha ritmo na dançante “Are you listen yet”, marcado por groove sólido, versos com pegada de rap (“se você insiste em participar de um movimento / demonstra-se de que há dança”) e batidas intensas de Tom Skinner, baterista do The Smile.
Sofisticação e diversidade
Em “The Waiting Game”, uma doce balada com violão e atmosfera sessentista, o disco segue por caminhos sofisticados que culminam em “Coming up roses”, balada com cordas camerísticas, considerada o ápice da beleza do álbum. As faixas “Season 2 Weight Loss” e “Taste Back” mantêm uma predominância de reflexões embaladas por batidas expansivas e controladas.
O álbum surpreende ao explorar novas sonoridades em “Pop”, que mistura teclados agressivos ao Depeche Mode e questionamentos filosóficos (“Será que estou me metendo em algo maior do que eu consigo lidar? / isso pode dar em qualquer coisa / eu faço, faço de novo/ é para ser pop”). Já “Dance no more” investe no funk com referências a Prince (“é como se a música tivesse sido enviada dos céus / e não houvesse diferença entre lágrimas e suor”).
Pop clássico e encerramento esperançoso
O compromisso com o clássico pop retorna em “Paint by numbers”, uma balada de violão com letra irônica (“foi uma tragédia quando você disse a ela que não tenho trinta e três anos?”, questiona Styles). O álbum se despede com “Carla's song”, faixa esperançosa que remete à sonoridade do U2 e traz versos marcantes (“você tem sido um bebê dormindo sobre uma barra de chocolate / até seus olhos se abrirem para a luz cambiante do verão”).
Maturidade e coerência
Como essas novas canções se encaixarão nos shows da próxima turnê, ao lado de sucessos como “As it was” e “Watermelon sugar”, ainda é uma incógnita, mas a expectativa é positiva. O que importa é que Harry Styles apostou na maturidade de seu público e entregou um álbum coeso, com texturas, refrãos, referências e uma sonoridade vibrante, que retrata com claras as descobertas e os jogos amorosos de um jovem adulto.
Cotação: Ótimo
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