Conhecimento
PM desocupa reitoria da USP com 'corredor polonês'; quatro estudantes são detidos
DCE afirma que ação ocorreu às 4h15 e deixou dezenas de feridos por uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes
A Polícia Militar desocupou, na madrugada deste domingo, a reitoria da Universidade de São Paulo (USP), que estava ocupada por estudantes. Imagens divulgadas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) mostram agentes agredindo alunos durante a operação, utilizando o chamado 'corredor polonês'. Quatro estudantes foram detidos.
Em nota, o DCE informou que a ação, realizada por volta das 4h15, deixou ‘dezenas de estudantes feridos através de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes’. O diretório também declarou que 'não há qualquer informação sobre a real motivação para a detenção de quatro estudantes ou mesmo quais condutas foram imputadas'.
O jornal O Globo conseguiu a Secretaria de Segurança de São Paulo na manhã deste domingo e aguarda posicionamento do governo estadual.
Os estudantes ocuparam o prédio da reitoria da USP, no campus Butantã, zona oeste da capital, na última quinta-feira, durante protesto relacionado à greve das universidades estaduais paulistas.
Durante a ocupação, os alunos passaram a noite em barracas do lado de fora do prédio e dormiram em colchões dentro da reitoria. À TV Globo, informando que a universidade cortou energia e água do local na manhã de sexta-feira, informação confirmada pelo g1 .
O ato reivindica a retomada das negociações com o reitor da USP, Aluísio Segurado, além de melhorias nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi.
Na sexta-feira, o reitor Aluísio Segurado, que completou 100 dias à frente da USP nesta semana, afirmou que o pedido dos alunos para elevar o auxílio permanência a um salário mínimo paulista é 'absolutamente incompatível com o orçamento' e destacou que 'a negociação deve ser consenso entre as partes, não imposição'.
— Não cabe mais negociação quando uma das partes entende que ela só termina com o atendimento total de todas as demandas. A ocupação neste momento impede o funcionamento dos próprios grupos de trabalho que já conseguiram estar avançando na busca de soluções para algumas dessas demandas — afirmou o reitor ao Jornal da USP.
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