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Menos contato presencial leva à queda na iniciação sexual entre adolescentes, aponta psicóloga

Número de jovens de 13 a 17 anos que experimentaram sexo, drogas, álcool e cigarro caiu, apontam dados do IBGE

Agência O Globo - 26/03/2026
Menos contato presencial leva à queda na iniciação sexual entre adolescentes, aponta psicóloga
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O número de jovens de 13 a 17 anos que experimentaram sexo, drogas, álcool e cigarro caiu entre 2019 e 2024, segundo a pesquisa Pense, do IBGE. Apesar da redução desses comportamentos, o uso do cigarro eletrônico (vape) foi aplicado triplamente no mesmo período.

Para a psicóloga Luisa Sabino, pesquisadora da adolescência, a mudança não indica, necessariamente, menor exposição a riscos, mas sim uma transformação no modo de viver dos jovens.

— A diminuição desses comportamentos não ocorre necessariamente porque houve mais consciência, mas porque o contexto mudou. Esses adolescentes hoje estão mais em casa e mais inseridos no ambiente digital. Isso muda completamente a forma de experimentar o mundo — disponível. — O fato de menos deles experimentarem sexo pode, por exemplo, refletir uma dificuldade de interação que tem sido muito mais presente, com jovens que têm menos contato presencial e vivem até um certo empobrecimento das relações afetivas.

Esse novo contexto também ajuda a explicar o aumento no uso do vape. Uma pesquisa revela que a proporção de jovens que passaram a usar o cigarro eletrônico subiu de 8% em 2019 para 26% em 2024.

— Ele é um dispositivo discreto, com sabores variados e uma estética mais limpa, o que favorece sua circulação nas redes sociais. Tudo isso transmite uma percepção de menor risco e de ser mais inofensivo, o que não corresponde à realidade — alerta a psicóloga.

O relatório do IBGE destaca que o “aerossol do cigarro eletrônico geralmente contém menos substâncias químicas nocivas do que a mistura de sete mil substâncias químicas presentes na fumaça do cigarro convencional, no entanto, isso não torna os cigarros eletrônicos seguros”.