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Pobreza menstrual faz 15% das adolescentes faltarem à escola por falta de absorvente, aponta IBGE

No Amazonas, quase um terço das alunas já enfrentou o problema; programa federal distribui absorventes desde 2022

Agência O Globo - 25/03/2026
Pobreza menstrual faz 15% das adolescentes faltarem à escola por falta de absorvente, aponta IBGE
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 15% dos adolescentes de 13 a 17 anos deixaram de frequentar a escola ao menos um dia, nos 12 meses anteriores à pesquisa, por falta de absorção. Os dados, referentes a 2024, foram divulgados nesta quarta-feira.

Disparidades regionais

O levantamento reuniu estudantes de escolas públicas e privadas, do 7º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio, numa amostra representativa do país. Uma pesquisa, realizada desde 2009 em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação (MEC), aborda fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes, incluindo hábitos alimentares, atividade física, uso de substância, saúde mental, violência e ambiente escolar.

Na rede pública, 16,9% das meninas faltaram às aulas por não absorverem, enquanto na rede privada esse índice foi de 6,4%. As desigualdades regionais são marcantes: no Amazonas, 27,9% dos adolescentes já abandonaram a escola por esse motivo, segundo o relatório do IBGE.

Política pública

Em 2022, foi criado o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que garante a distribuição gratuita de absorventes para estudantes do ensino fundamental e médio, mulheres em situação de vulnerabilidade e presidiárias. A lei chegou a ser vetada pelo então presidente Jair Bolsonaro, mas o veto foi derrubado pelo Congresso.

De acordo com uma pesquisa, 84,3% dos estudantes estavam em escolas que ofereciam absorventes. No entanto, a oferta é desigual: no Norte, pouco mais da metade das alunas tiveram acesso ao item (56,2%), enquanto no estado de Roraima o índice caiu para 38,5%. No Sudeste, a disponibilidade chega a 91,7%.

Saúde mental e impacto emocional

O levantamento também mostra que as meninas sofrem mais do que os meninos durante a adolescência. Entre estudantes de 13 a 17 anos, o dobro das meninas relatadas tristeza frequente, maior vontade de se machucar e sensação de que a vida não vale a pena. Além disso, a proporção de alunas com autoavaliação negativa de saúde mental é três vezes maior do que entre os alunos.

"É notável que as meninas se sentiram mais tristes, preocupadas, irritadas, nervosas ou mal-humoradas, que mais se machucaram intencionalmente, que mais perceberam falta de apoio e que mais sentiram que a vida não valia a pena ser vivida. Apenas quanto ao número de amigos as meninas ficaram em posição superior, já que os meninos contaram com mais frequência não ter amigos próximos", aponta o relatório da Pense.