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Número de adolescentes que relatam assédio sexual e insegurança na escola cresce, aponta IBGE

Dentre os 1,1 milhão de adolescentes que foram forçados a terem relações sexuais contra a vontade, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência, diz relatório

Agência O Globo - 25/03/2026
Número de adolescentes que relatam assédio sexual e insegurança na escola cresce, aponta IBGE
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O número de jovens entre 13 e 17 anos que relataram ter sido vítimas de violência sexual aumentou em 2024, em comparação a 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também foi registrado crescimento na proporção de estudantes que relatam falta de segurança no ambiente escolar.

“Dentre os 1,1 milhão de adolescentes que foram provocados a terem relações sexuais contra a vontade, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos de idade quando sofreu a violência”, aponta o relatório da pesquisa.

A Pense ouve alunos de escolas públicas e privadas, do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, com amostragem representativa nacional. O levantamento coleta informações sobre fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes, abordando temas como hábitos alimentares, atividade física, uso de emissão, saúde mental, violência e ambiente escolar. Realizada desde 2009 pelo IBGE, uma pesquisa conta com parceria do Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação (MEC).

Principais números:

• Não foram à aula por falta de segurança na escola: índice passou de 10,8% em 2019 para 13,7% em 2024.

•Alguma vez alguém tocou, beijou ou expôs partes do seu corpo contra sua vontade: passou de 14,7% para 18,5%.

• Foram obrigados a ter relação sexual contra a vontade: passaram de 6,3% para 8,8%.

Os dados revelam ainda que meninas relataram o dobro de casos de assédio sexual em relação aos meninos. Em 2024, 26% dos adolescentes afirmaram que alguém tocou, beijou ou expôs partes do corpo contra a vontade. Entre os meninos, o índice ficou em 10,9%.

Quanto aos agressores, os principais apontados foram outra pessoa (24,6%), familiares (24,4%) e pessoa desconhecida (24,0%). As categorias namorado(a) e amigo(a) foram mencionadas por 21,2% e 20,4% dos estudantes, percentuais que caíram em relação a 2019, quando eram 29,1% e 24,8%, respectivamente. Nos casos de estupro, o principal agressor foi outro membro da família (26,6%), seguido por pessoa desconhecida (23,2%) e namorado (22,6%).

Falta de segurança

Segundo a pesquisa, a metodologia do IBGE não mediu apenas episódios de violência ocorridos dentro da escola. “Situações vivenciadas nas escolas, como brigas, bullying, ameaças, assédio, entre outros, assim como problemas de origem psicológica, podem fazer com que alguns estudantes não vejam a escola como um lugar seguro”, destaca o relatório.

Nesse contexto, 13,7% dos estudantes disseram já ter faltado à aula por não se sentirem seguros no ambiente escolar. Além disso, 12,5% disseram ter perdido ao menos um dia de aula por falta de segurança no trajeto entre casa e escola — percentual que chega a 20,8% na cidade do Rio de Janeiro.