Conhecimento
Estudante quilombola da UFPA denuncia expulsão de sala por estar com filho de sete meses
Universitária relata constrangimento e busca apoio jurídico após episódio em sala de aula
A estudante quilombola Lorrany da Paixão Maia, de 25 anos, afirma ter sido expulsa de uma sala de aula na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, por estar acompanhada de seu filho de sete meses. O episódio ocorreu na última segunda-feira, levando a universitária a procurar apoio jurídico na Defensoria Pública da União (DPU) nesta sexta-feira.
Segundo Lorrany, o bebê estava em seu colo e não fazia barulho durante a aula. Ela relata ter sido constrangida pela professora diante dos colegas e orientada a se retirar do ambiente. “Na hora, eu comecei a chorar muito, porque o meu filho estava no meu colo dormindo, não estava fazendo barulho. Foi uma surpresa”, declarou a estudante.
Antes do ocorrido, Lorrany havia solicitado autorização ao professor adjunto da disciplina para levar o filho à sala, por não ter com quem deixá-lo. O docente, segundo ela, foi compreensivo e informou que conversaria com a professora responsável, que teria autorizado a presença do bebê durante as aulas.
“Eu disse ao professor que não teria como ir à aula naquele dia porque eu não tinha com quem deixar o meu filho, e ele respondeu, de forma solícita, que não havia problema, que depois me passaria o conteúdo. Mais tarde, ele me mandou mensagem dizendo que falou com a professora que também dá essa matéria e que eu poderia levar o meu filho para a aula”, relatou Lorrany.
A estudante também afirmou que, ao ser orientada a deixar a sala, pediu à docente o conteúdo que perderia, mas não recebeu auxílio. Após o caso, entidades estudantis organizaram um ato na última quarta-feira em defesa do direito à permanência de mães na universidade.
Participaram da manifestação a Associação dos Discentes Quilombolas da UFPA (ADQ UFPA), a Associação dos Povos Indígenas da UFPA (Apye UFPA), o Centro Acadêmico de Desenvolvimento Rural (Cader), o coletivo de mães universitárias pela permanência e o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Os grupos defendem políticas institucionais que garantam condições adequadas para estudantes com filhos permanecerem na graduação.
“Eu entrei em contato com alguns grupos de mães que têm aqui e eles me disseram que a gente precisava pressionar, que isso não pode ficar assim”, ressaltou Lorrany.
A UFPA foi procurada pela reportagem, mas ainda não respondeu aos questionamentos sobre o caso.
*Sob supervisão de Luã Marinatto
Mais lidas
-
1INFRAESTRUTURA
Paulo Dantas anuncia triplicação da rodovia entre Maceió e Barra de São Miguel
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quando começa a valer a escala 5x2?
-
3JULGAMENTO DO CASO HENRY BOREL
Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões sofridas na infância
-
4EDUCAÇÃO
Vestibular Unicamp 2027: confira os temas mais recorrentes na prova
-
5RESGATE NO LITORAL PAULISTA
Mulher resgatada após mais de 40 horas no mar recebe alta: 'Continuem orando pelo meu colega'