Cidades

“Ninguém fala por mim”: Helenildo Neto rejeita ameaça feita em nome de todos os vereadores

Ausente pela primeira vez no mandato de uma sessão, vereador rejeitou ser incluído entre os “15 no cangote” de Luísa Júlia Duarte e reafirmou que fiscaliza a gestão de forma independente

Redação 12/06/2026
“Ninguém fala por mim”: Helenildo Neto rejeita ameaça feita em nome de todos os vereadores
Helenildo Neto não participou da sessão de ontem (11) da Câmara Municipal por motivos superiores e desautorizou qualquer vereador a usar seu nome

O vereador Helenildo Ribeiro desautorizou o presidente da Câmara Municipal de Palmeira dos Índios, Madson Monteiro, a falar em seu nome após a polêmica sessão realizada nesta quinta-feira (11), marcada por discursos agressivos, pressões políticas e declarações interpretadas como ameaças contra a prefeita Luísa Júlia Duarte.

Helenildo não participou da sessão por motivo de força maior. Segundo ele, essa foi a primeira vez que faltou a uma reunião plenária desde o início do atual mandato.

O vereador disse ter sido surpreendido ao tomar conhecimento de uma declaração do presidente da Câmara, segundo a qual os 15 integrantes da Casa ficariam “no cangote da prefeita” caso a administração municipal mexesse com qualquer vereador.

“Madson Monteiro e nenhum outro vereador não tem autorização para falar em meu nome”, afirmou Helenildo à reportagem da Tribuna do Sertão.

O parlamentar declarou que mantém uma atuação independente e que não integra grupo político formado para pressionar ou ameaçar a gestão municipal.

“Fiscalizo a administração desde o início do mandato, de forma independente. Não faço parte de grupo de vereadores algum e desautorizo qualquer um deles a falar em meu nome”, declarou.


Declaração ocorreu após corte de indicados

A manifestação de Madson Monteiro ocorreu no contexto da exoneração e rescisão de contratos de pessoas indicadas pelo vereador Fábio Targino para cargos na Prefeitura de Palmeira dos Índios.

Em solidariedade a Targino, o presidente da Câmara e outros vereadores fizeram discursos contra a administração municipal. Algumas falas foram proferidas em tom agressivo e incluíram advertências dirigidas à prefeita Luísa Júlia Duarte.

Durante a sessão, Madson afirmou que os 15 vereadores estariam “no cangote” da prefeita caso ela adotasse medidas semelhantes contra outros integrantes da Câmara.

A declaração, porém, incluiu Helenildo Ribeiro, que estava ausente e não havia autorizado o presidente a falar em seu nome nem aderido ao movimento anunciado no plenário.


Sessão teve ataques políticos

A sessão também foi marcada por críticas indiretas ao ex-prefeito Júlio Cezar, conhecido como “Imperador”, sobrinho de Luísa Júlia Duarte e nome do grupo político para a disputa por uma vaga de deputado federal.

A crise entre a Câmara e a Prefeitura tem como pano de fundo as articulações para as eleições de 2026. Parte dos vereadores mantém compromissos com outros candidatos a deputado federal e entrou em confronto com a prefeita após mudanças nos espaços e cargos ocupados por seus indicados na administração.

O rompimento político passou a interferir diretamente nas votações do Legislativo, com vereadores rejeitando projetos enviados pelo Executivo e ampliando o tom das cobranças contra a prefeita.

Na mesma sessão, a Câmara rejeitou o projeto que permitiria a abertura de crédito suplementar para viabilizar o repasse de R$ 19,7 milhões ao Hospital Regional Santa Rita.


Helenildo reafirma independência

Ao se posicionar, Helenildo Ribeiro procurou deixar claro que não concorda com ameaças institucionais nem aceita ser incluído automaticamente em decisões tomadas por outros parlamentares.

O vereador afirmou que continuará fiscalizando a administração, cobrando explicações e analisando os projetos encaminhados à Câmara, mas sem participar de ações motivadas por disputas eleitorais ou pela perda de cargos na Prefeitura.

A declaração expõe que, apesar da fala do presidente em nome dos “15 vereadores”, não existe unanimidade na Câmara em relação à ofensiva política anunciada contra a gestão de Luísa Júlia Duarte.