Cidades
Véspera do Dia do Trabalhador é marcada por demissão de 21 funcionários das rádios Francês FM Penedo e Francês FM Coruripe
Desativação de transmissores e fim de contrato de arrendamento deixam profissionais sem emprego na emissora ligada aos Caldas; disputa política estaria no pano de fundo
A véspera do Dia do Trabalhador, data que simboliza a luta por direitos e dignidade no emprego, foi marcada por um episódio que gerou forte repercussão no setor de comunicação em Alagoas. Na última quarta-feira (30), 21 trabalhadores das emissoras Francês FM Penedo e Francês FM Coruripe foram surpreendidos com a desativação dos transmissores e, consequentemente, com a perda de seus postos de trabalho.
A medida ocorreu após o rompimento do contrato de arrendamento das emissoras, até então operadas por um grupo ligado à família Beltrão, que estava à frente da gestão desde 2018.

Ciclo fechado nas emissoras ligadas aos Caldas
Segundo informações apuradas, o controle das rádios é vinculado a um grupo ligado ao ex-deputado João Caldas, que teria decidido encerrar o acordo.
Nos bastidores, a decisão é associada a divergências políticas locais. A família Beltrão teria optado por não acompanhar o grupo político ligado ao prefeito de Maceió, JHC, nas articulações para as eleições de outubro, o que teria contribuído para o rompimento do contrato.
Outro ponto que chama atenção é o modelo de gestão das emissoras. Por se tratarem de rádios educativas, o arrendamento — prática comum no setor — levanta questionamentos quanto à sua legalidade, já que esse tipo de concessão pública possui regras específicas de operação e finalidade.
Com o encerramento abrupto das atividades, os trabalhadores foram os principais atingidos. Sem aviso prévio público sobre a descontinuidade da operação, os profissionais se viram desempregados justamente na véspera de uma data simbólica para a classe trabalhadora.
Em resposta, o grupo ligado à família Beltrão informou que pretende lançar, nos próximos dias, uma nova emissora nas cidades e buscar a recontratação dos profissionais desligados.
Já o grupo responsável pela retomada das concessões terá o desafio de reorganizar completamente a operação das rádios, incluindo novos transmissores, estrutura técnica e contratação de equipes.
O caso reacende o debate sobre a precarização das relações de trabalho no setor de comunicação e o uso político de concessões públicas, especialmente em regiões onde os meios de comunicação exercem forte influência social e eleitoral.
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