Brasil
Morre o alagoano Luiz Gutemberg, pioneiro do jornalismo político e biógrafo do poder, aos 88 anos
Referência da imprensa brasileira e autor de obras marcantes da redemocratização, alagoano esteve no centro da cobertura dos bastidores de Brasília por meio século
O jornalista, escritor e biógrafo Luiz Gutemberg morreu neste domingo (16), em Brasília, aos 88 anos. Internado na capital federal, ele não resistiu às complicações causadas por uma pneumonia. Com uma trajetória de mais de sete décadas de carreira, Gutemberg foi uma das figuras centrais no acompanhamento dos bastidores do poder e na consolidação de Brasília como polo do jornalismo político nacional.
Nascido em Maceió em 24 de agosto de 1937, Gutemberg deu os primeiros passos na profissão aos 16 anos, na Gazeta de Alagoas. O talento precoce o levou rapidamente para o Rio de Janeiro e, posteriormente, para a nova capital do país.
Ao longo da carreira, acumulou passagens decisivas pelos principais veículos da imprensa brasileira:
Jornal do Brasil: Atuou durante a era de ouro da inovação gráfica e editorial do veículo — experiência que mais tarde transformou na obra JB – A invenção do maior jornal do Brasil.
Revista Veja: Assumiu a chefia do escritório em Brasília no início dos anos 1970, fixação que marcou de vez sua relação com a cidade.
Projetos próprios e TV: Dirigiu o Jornal de Brasília, criou o semanário José – Jornal da Semana Inteira (que comandou por 15 anos) e atuou como analista e gestor da Rede Bandeirantes.
Além do trabalho de campo nas redações, Gutemberg transitou pela academia como professor da Universidade de Brasília (UnB), exerceu o cargo de assessor especial da Presidência no governo José Sarney e recebeu, em 1996, o título de Cidadão Honorário de Brasília.
Sua vivência nos corredores do poder alimentou uma vasta literatura que incluiu romances, peças de teatro e biografias históricas, como Moisés – codinome Ulysses Guimarães e Quem é Pedro Simon. A perda de Luiz Gutemberg encerra um capítulo fundamental da história da comunicação e da memória política do país.
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