A cidade dividida
Palmeira dos Índios acorda de um longo processo eleitoral com um peso nos ombros, um fardo que se reflete não nos números frios das urnas, mas na alma dividida de seu povo. Foram 53% para a candidata da situação contra 47% de toda a oposição. Uma diferença de apenas 6%. Parece pouco, mas para quem vive o cotidiano palmeirense, essa margem é um abismo.
Diferente das grandes vitórias que ecoaram pelo interior de Alagoas – Arapiraca com Luciano Barbosa surfando nos 85% dos votos, Maceió se curvando a JHC com seus impressionantes 83%, ou Coruripe, Atalaia e Penedo rendendo homenagens quase unânimes aos seus vencedores – Palmeira dos Índios mostrou que está rachada. O que significa essa divisão? Mais do que simples números, ela revela um cenário onde a pressão, o medo e a ameaça velada pairam no ar.
Vimos uma máquina administrativa, inchada, com servidores contratados jogados contra a parede. O temor de perder o emprego e a segurança fez sua parte. Como não faria? São pais e mães de família que têm de garantir o pão de cada dia. Mas, no fundo, sabemos que essa pressão não pode calar o outro lado. Aqueles 47% que ousaram resistir, que se mantiveram firmes diante do rolo compressor, representam mais do que uma simples oposição. São a voz de uma cidade que, mesmo sob a sombra da incerteza, ainda luta pela verdade.
E aqui está a essência do nosso papel. Para esses 47%, falamos. Escrevemos para eles, para os que enxergam além da maquiagem de obras inacabadas, dos projetos que só existem nos papéis ou nas promessas dos palanques. E é para essa parcela de Palmeira, que já não se deixa enganar pelo descalabro administrativo, que nossa missão se volta com mais força.
São eles que entendem que a política não é troca de favores, que não se pode negociar a dignidade em troca de um emprego temporário ou de um favor qualquer. São eles que já perceberam que não há prosperidade verdadeira quando o governo governa pelo medo, pela chantagem emocional. E são eles que, com os olhos bem abertos, mostram que não estamos sós.
Falta pouco. Apenas 6%. Não podemos ignorar que a margem é estreita, e é por ela que lutaremos, palavra por palavra, dia após dia. Porque sabemos que aqueles que ainda não estão convencidos não tardarão a abrir os olhos. O poder é transitório, as promessas vazias se esvaem com o tempo. Mas a verdade, essa sim, resiste.
Palmeira dos Índios está dividida. Mas não é uma divisão que se cura com silêncio ou conformismo. É uma divisão que se acentua quando a verdade é sufocada, quando a liberdade de pensamento é vista como ameaça. E nós, que escrevemos, que falamos, somos a resistência. Nossa missão é levar essa verdade, sem medo, a todos os cantos. Porque o jogo ainda não terminou. A cidade que resiste não será calada por 6%. É essa gente, de olhos abertos, que nos dá força. E, para eles, nós seguimos. Mais fortes, mais convictos.
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