A indústria dos contratados
Ah, Palmeira dos Índios! Um oásis de progresso e prosperidade no sertão alagoano, pelo menos nas coloridas postagens do Instagram e nas mensagens virais do zap zap, cortesia do nosso ilustre gestor, o mago do marketing, cuja habilidade em manipular as redes sociais faria até o Mark Zuckberg corar de inveja. Mas vamos mergulhar um pouco mais fundo nessa miragem de desenvolvimento, onde a única coisa que realmente cresce é a indústria de contratados da prefeitura.
Desde o ano 2000, a cidade parece ter travado um pacto com o número 73.
73 Mil habitantes, nem um a mais, nem um a menos, como se todos tivessem feito uma promessa coletiva de não ultrapassar essa marca, em um esforço comunal de manter o status quo.
Ah, mas não se deixe enganar pela aparência estática. As ruas de Palmeira dos Índios estão mais bonitas, sim senhor. Algumas calçadas reformadas, praças revitalizadas, um espetáculo urbanístico digno de cartão-postal. Se desenvolvimento fosse medido em metros quadrados de calçamento e novos bancos de praça, estaríamos, sem dúvida, na vanguarda do progresso.
No entanto, a juventude palmeirense, essa sim, parece ter percebido a miragem. Com diplomas na mão e sonhos na cabeça, eles clamam por oportunidades de emprego dignas, por uma chance de contribuir para uma verdadeira industrialização do município.
Mas, oh, desilusão!
A única "indústria" que parece florescer sob o sol escaldante de Palmeira é a já mencionada fábrica de contratados da prefeitura. Começou de forma tímida, com meros 500 funcionários, como quem não quer nada, apenas testando as águas. Pulou pra 800, num piscar de olhos, eis que surge um salto para 1.500, e, pasmem, já chegamos à marca de 4.000 almas contratadas, segundo contam os políticos, porque a tela do Portal da Transparência está suja e ninguém enxerga nada. Um crescimento exponencial que faria qualquer indústria de carro elétrico parecer estagnada.
E onde está, pergunto eu, o crescimento de Palmeira dos Índios? Ora, está nas estatísticas infladas de emprego, nas fotos de inaugurações de obras que mais parecem cenários de novela, prontos para serem desmontados após o último clique da câmera. Está nas promessas de um futuro brilhante, vendidas em pacotes de esperança por um gestor que entende de hashtags, stories e lives mais do que de administração pública.
Nesse cenário, o progresso de Palmeira dos Índios é um espetáculo para os olhos, desde que esses olhos estejam bem fechados para a realidade. A cidade, embalada pela orquestra das redes sociais, dança uma música com o fantasma do desenvolvimento, enquanto sua juventude olha para o horizonte, ansiando por um crescimento que vá além das contratações temporárias e das fachadas bem pintadas.
Ah, Palmeira dos Índios, tão bela nas selfies, tão estagnada na realidade. Mas não se preocupem, enquanto houver internet, sempre haverá uma nova postagem para nos convencer de que tudo vai bem, obrigado. E assim, seguimos, entre filtros e fantasias, construindo a ilusão de um desenvolvimento que, quem sabe um dia, deixará de ser apenas uma obra de ficção nas redes sociais do nosso estimado prefeito-imperador-marqueteiro.
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