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O menino, a Copa e o sonho
Desde muito cedo, nas ruas de chão batido onde vivi a infância, ou nos gramados do Colégio Marista, correr atrás de uma bola era uma das maiores alegrias da vida. Mas essa felicidade ganhava contornos especiais quando se aproximava a Copa do Mundo. Era como se o país inteiro passasse a respirar futebol.
Nesses períodos mágicos, todos nós nos transformávamos em treinadores. Das calçadas aos almoços de família, cada brasileiro tinha sua escalação ideal e uma opinião sobre quem deveria comandar a Seleção. Foi assim que aprendi a admirar nomes como Vicente Feola, Aymoré Moreira, João Saldanha, Zagallo, Telê Santana, Parreira, Felipão e, agora, Carlo Ancelotti.
O verde e o amarelo tomavam conta das ruas. Com um radinho de pilha junto ao ouvido, eu acompanhava as transmissões imaginando os dribles desconcertantes de Garrincha e as defesas espetaculares de Gilmar. Depois veio a televisão em cores, permitindo que o mundo contemplasse toda a genialidade de Pelé. A cada quatro anos, a festa se renovava.
Os tempos mudaram, surgiram novos ídolos e novas esperanças. Zico, Roberto Dinamite, Leivinha, Sócrates, Romário e os Ronaldos alimentaram os sonhos de milhões de torcedores. Com a evolução da tecnologia, os estádios distantes ficaram mais próximos, e passou a ser possível acompanhar cada lance em tempo real, mesmo quando a partida acontecia do outro lado do planeta.
Apesar de todas as transformações, algo permaneceu inalterado: cada jogo da Seleção continuou sendo motivo para reunir a família, compartilhar emoções e renovar a esperança. Ao longo dos anos, alguns integrantes dessa torcida tão especial partiram, mas seguem vivos na memória, vibrando conosco em cada gol e em cada conquista.
Hoje, aquele menino que corria atrás da bola, tornou-se avô de seis netos. O tempo passou, os cabelos embranqueceram, mas a paixão continua a mesma. E enquanto Hendrick, Neymar e tantos outros talentos vestirem a camisa amarela, seguirei acreditando que o futebol ainda nos reservará novas alegrias.
Porque a Copa do Mundo tem esse poder singular: transforma adultos em crianças, reacende lembranças e faz renascer, a cada quatro anos, o sonho de ver o Brasil novamente no topo do mundo, conquistando o tão desejado hexacampeonato.
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