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Mulheres, leitura e transformação social
Apesar de nos momento atuais estarmos questionando o nível baixo de alfabetização brasileira, um fenômeno silencioso reescreve a história, mulheres não apenas leem mais, mas estão transformando a sociedade por meio dos livros.
Segundo o mais recente levantamento da Câmara Brasileira do Livro, publicado em 2025, 49% das mulheres se declaram leitoras, superando os 44% dos homens. Porém, a história vai além, 62% dos leitores mais intensos (aqueles que leem 10 ou mais livros por ano) são mulheres. Em um cenário onde apenas 16% da população adulta adquiriu ao menos um livro no período, esse protagonismo feminino não pode ser ignorado.
Mas por trás desses números há uma história. Esse destaque não é coincidência, é resultado de séculos de luta pelo acesso à educação. Nesse contexto, a leitura deixa de ser apenas lazer e passa a ser ferramenta de autonomia. Ao consumir livros (principalmente aqueles voltados ao desenvolvimento pessoal, carreira e saúde mental), mulheres ampliam repertórios, constroem senso crítico e, sobretudo, ocupam espaços de decisão.
Não por acaso, a pesquisa aponta que grande parte das leitoras pertence às classes B e C. Nesses contextos, o livro funciona como porta de entrada para novos mundos, novas carreiras, novas possibilidades. Em outras palavras, ler é cada vez mais uma estratégia de ascensão e as mulheres sabem disso.
O impacto vai além do indivíduo. Mulheres são, majoritariamente, construtoras de comunidades de leitura: incentivam filhos, recomendam títulos, movimentam clubes de leitura e influenciam tendências nas redes sociais. Elas não apenas consomem cultura; elas a disseminam.
O protagonismo feminino já impacta diretamente o mercado editorial. Editoras ampliam catálogos com autoras, investem em narrativas mais diversas e acompanham demandas que emergem desse público.
Se as mulheres estão liderando a leitura, talvez a pergunta mais relevante não seja "por que elas leem mais?", mas sim "o que o restante da sociedade pode aprender com esse comportamento?" A resposta passa por reconhecer que o livro não é apenas um produto cultural, mas uma tecnologia social. Ele forma pensamento, amplia horizontes e impacta diretamente a capacidade de participação cidadã.
Quando mulheres leem mais, reescrevem as próprias trajetórias. E organizações como a Afesu existem justamente para garantir que todas as mulheres, independentemente de sua origem, tenham acesso a essa ferramenta transformadora.
*Sonia de Almeida, Diretora Executiva da Afesu.
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