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High value, low price: como academias acessíveis estão transformando o mercado fitness
O setor fitness brasileiro atravessa um dos momentos mais consistentes de sua trajetória. Em um país que passou a discutir com maior maturidade temas como saúde, bem-estar e longevidade, o avanço das academias com condições mais acessíveis indica uma mudança concreta de comportamento.
Nos últimos anos, o número de academias no Brasil cresceu de forma consistente. Segundo a 4ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, com base em dados do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), o país passou de cerca de 22 mil centros de atividades físicas em 2015 para mais de 62 mil em 2025. Cada vez mais pessoas encontram caminhos viáveis para incorporar o movimento à rotina, com reflexos claros na economia e na vida social.
O crescimento foi mais acelerado em estados do Norte e do Nordeste como Alagoas, Pernambuco, Maranhão, Piauí e Bahia registraram aumentos superiores a 70% no número de academias, com alguns casos acima de 150%. O dado evidencia um processo de descentralização, onde essas regiões passaram a ocupar posição estratégica na expansão do setor.
Esse avanço regional está diretamente ligado à consolidação do modelo, high value, low price. Ao reduzir barreiras como preço, distância e contratos rígidos, o setor passou a atender uma demanda reprimida em áreas densamente povoadas. O resultado é um mercado mais inclusivo e conectado à realidade da população.
Na prática, esse formato ampliou o acesso à atividade física regular. Dados setoriais indicam que a penetração das academias no país saiu de aproximadamente 5% antes da pandemia para cerca de 7% nos últimos anos, o que representa quase 15 milhões de praticantes, um crescimento de cerca de 50% em um intervalo relativamente curto.
Essa evolução trouxe benefícios econômicos claros: impulsionou o faturamento de redes, incentivou o surgimento de novos empreendimentos e gerou oportunidades de trabalho em diversas frentes, desde cargos operacionais até funções de gestão.
No entanto, essa expansão também impõe desafios. À medida que o mercado amadurece, a experiência oferecida deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser um requisito básico para a continuidade do modelo. Planejamento de ocupação, organização dos espaços e assegurar a qualidade do serviço tornam-se elementos centrais para converter a adesão inicial em engajamento duradouro.
Dentro desse contexto, o conceito de “alto valor, baixo custo,” consolidou-se não apenas como abordagem comercial, mas como resposta às realidades econômicas, sanitárias e demográficas do país. O grande desafio será transformar essa escala em impacto à longo prazo. Implica investir em capacitação, inovação em serviços e visão estratégica para construir uma sociedade mais ativa, produtiva e preparada para as demandas futuras.
Fernando Menezes é CEO da Selfit, uma das maiores redes de academias do Brasil e da América Latina.
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