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As Cariocas

Carlito Peixoto Lima 22/02/2026
As Cariocas
Carlito Peixoto Lima - Foto: Assessoria

— O que tem para se fazer nessa terra numa belo domingo de Carnaval?


Perguntou Adriana às amigas, enquanto enchia a xícara no café do hotel. Beto, ao lado, entrou na conversa das três quarentonas bonitas.


 — Desculpe a intromissão, hoje tem o desfile do Bloco da Nêga Fulô, um dos melhores e mais animados blocos de Maceió, vale a pena dar uma olhada, no começo da tarde estará desfilando na orla uma multidão, na verdade são oito blocos juntos, tocando frevo e marchinhas de antigos carnavais.

As cariocas se interessaram, agradeceram, pediram mais informações, ele sentou-se junto a elas, era seu objetivo. Depois que Beto separou-se de Marlene leva a vida nos hotéis paquerando turistas maiores de trinta em busca de diversão ou algumas aventuras fortuitas. Acompanhou as novas amigas à praia, onde conversaram, divertiram-se com as histórias de Beto; um belo homem, bem humorado, alegre e conhecedor de muitas histórias, completara 50 anos no dia anterior. O desfile do Bloco partiria da pracinha dos 7 Coqueiros às 15:00 horas.

As cariocas descontraídas, de biquíni, acompanharam a multidão arrastada pelo Bloco da Nêga Fulô naquela bela tarde de fevereiro. Dançaram, pularam, cantaram, ficaram encantadas com a animação. O frevo na rua, as marchinhas antigas cantadas pelo povo fantasiado ou simplesmente de bermudas. Acompanharam o bloco por mais de três horas se divertindo, um carnaval inesperado. Eram cinco horas da tarde quando o bloco entrou à direita mar adentro sobre o Marco dos Corais. Orquestra do Maestro Elizaubo tocou uma série de frevos, terminando com os Vassourinhas. Cansados sentaram num banco olhando o azul do mar. As meninas fascinadas, não esperavam tantas beleza. Até que foram caminhando para Barraca Pedra Virada, onde tomaram uísque, cerveja, jantaram. Perto das oito horas, Foram ao hotel colocar uma bermuda, o que Beto também o fez em seu pequeno apartamento defronte à praia de Ponta Verde. Foram ao bairro antigo de Jaraguá, ficaram na praça Dois Leões em uma mesa de ambulante, olhando o povo cair no samba, tocava o afinado conjunto “Samba da Periferia”, as cariocas entraram no meio do povo sambando com seus passos miúdos deram um show.

Encontrara-se com eles, tomando uísque, assistindo a animada banda, o Dr. Evaldo, digno membro da Justiça Alagoana, sessentão aprumado, conquistador, leva a vida de solteiro embora seja casado há mais de 30 anos, solicitado pelo pareia, também fez companhia às cariocas fascinado pelo carnaval nordestino. Terminaram a festa, a paquera com o caminhar da noite estava indefinida. Mas na hora de dormir se ajeitara, Beto ficou com Adriana e Thereza no apartamento e Sua Excelência, o juiz, conseguiu entrar no hotel com Rose. Ele não tinha problema, sua santa mulher fora passar o carnaval em Olinda com as filhas, genros e netos. Ele não gostava, achava muito bagunçado o animadíssimo Carnaval de Olinda.

Pela segunda-feira de manhã encontraram-se na praia em frente ao Hotel Ponta Verde, almoçaram no Restaurante Maria Antonieta. Descansaram um pouco. Às 18:00 horas acompanharam o Bloco do Coco de Roda, as cariocas se encantaram com aquele bloco folclórico. Jantaram na Bodega do Sertão. Por acaso encontraram Bernardo, outro cinquentão que se adaptou muito bem com os cinco foliões. Partiram para a noitada alegre e agitada no belo bairro histórico de prédios antigos, Jaraguá. No final da noite, se ajeitaram, Thereza dormiu no apartamento de Bernardo, viúvo há um ano.

Afinal a terça-feira, foram à praia do Francês, tomaram boa cerveja, almoçaram, esperando o Bloco do Siri Mole, do artista plástico, Ovídio Gurgel, que iniciou seu desfile pelas cinco horas. Ao acabar de dançar, pular, frevar; conforme combinado, retornaram a Maceió, em Jaraguá ainda deu tempo de desfilar no Bloco da Nêga Fulô. Dançar na Praça e finalmente foram encerrar o carnaval no primeiro baile, “Grito de Jaraguá”, organizado pelo carnavalesco Dinho Lopes em um restaurante, ficaram até terminar o animadíssimo baile.

Na tarde de quarta-feira, no aeroporto, felizes, Thereza perguntou às amigas cariocas.

— Quem disse, que não havia carnaval em Maceió? — Para o ano estarei aqui de novo.