Alagoas
Greve dos Correios afeta entrega de meio milhão de cartas e encomendas em Alagoas
Com adesão massiva de 85% do setor operacional, paralisação por tempo indeterminado atinge a maioria dos municípios alagoanos e gera impasse sobre direitos trabalhistas
A paralisação dos trabalhadores dos Correios promete provocar um forte impacto no fluxo de entregas em Alagoas. Cerca de 500 mil correspondências e encomendas que circulam diariamente no estado podem sofrer atrasos severos devido à greve deflagrada pela categoria. Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Alagoas (SINTECT-AL), a mobilização ganhou força imediata: aproximadamente 85% dos profissionais da área operacional cruzaram os braços, afetando o atendimento e a distribuição em 80% dos municípios alagoanos.
A decisão pela greve por tempo indeterminado foi tomada por unanimidade em Assembleia Geral realizada no auditório do SINTECT-AL, acompanhando o movimento nacional da categoria. Os trabalhadores rejeitaram em bloco as propostas apresentadas pela estatal e exigem a manutenção de cláusulas históricas da convenção coletiva. Entre os principais pontos de impasse estão a preservação do plano de saúde, o pagamento do Ticket Extra (conhecido como Vale Peru), a remuneração por trabalho em dias de repouso e a manutenção do adicional de férias de 70%.
Para tentar conter o represamento de cargas e manter o sistema em funcionamento básico, a gestão local dos Correios começou a deslocar funcionários do setor administrativo para reforçar a triagem e a entrega de correspondências.
Em nota oficial, os Correios informaram que ativaram o seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os prejuízos à população. A empresa destaca que a estratégia inclui o remanejamento interno de equipes, reforço operacional e ajustes na malha logística em todo o país.
A direção da estatal afirma que apresentou uma proposta de acordo coletivo que atende a 78 das 80 cláusulas pleiteadas, incluindo a reposição integral da inflação (100% do INPC) sobre salários e benefícios — retroativa a 1º de agosto — e a manutenção da assistência médica. Apesar das justificativas da empresa, o sindicato mantém a paralisação até que as reivindicações centrais sobre os benefícios sejam totalmente atendidas.
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