Vida Esportiva

Barrada da Superliga, Tifanny critica dirigentes em lançamento do torneio: 'Profundamente humilhada'

Jogadora segue atuando no Campeonato Paulista, e Osasco tenta sua liberação para a temporada nacional; atleta critica falta de diálogo com a CBV

Agência O Globo - 01/10/2026
Barrada da Superliga, Tifanny critica dirigentes em lançamento do torneio: 'Profundamente humilhada'
Barrada da Superliga, Tifanny critica dirigentes em lançamento do torneio: 'Profundamente humilhada' - Foto: Reprodução / Instagram

Impedida de disputar a Superliga 2026/2027 pelas novas regras para a participação de atletas trans, Tifanny Abreu compareceu nesta quinta-feira ao lançamento da competição, durante a COB Expo, feira de esportes olímpicos do Comitê Olímpico do Brasil. Representando o Osasco São Cristóvão Saúde, que ainda tenta sua liberação para esta temporada, a jogadora criticou a condução da mudança.

— Estou esgotada, exausta e profundamente humilhada — declarou.

A restrição decorre da política de elegibilidade anunciada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 14 de agosto, em alinhamento às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI). A norma estabelece a triagem do gene SRY como critério para a participação na categoria feminina, com exceções previstas no regulamento. Além da Superliga, a medida alcança competições como a Supercopa de 2026 e a Copa Brasil de 2027.

Segundo Tifanny, não houve contato prévio da CBV com ela ou com o clube.

— Fomos pegos de surpresa e isso foi extremamente doloroso - afirmou. A atleta disse não sentir raiva, mas criticou o tratamento recebido: - Sinto, na verdade, um profundo desprezo pela falta de empatia demonstrada. Faltou sensibilidade com o ser humano, com o atleta, com o clube e com todos aqueles que se inspiram na minha trajetória no esporte.

Ao ser questionada sobre o apoio de companheiras e adversárias, Tifanny direcionou suas críticas aos dirigentes, a quem atribuiu a adoção de uma “política transfóbica”. A jogadora disse que, embora a regra internacional tivesse sido amplamente divulgada, acreditava que a proibição ficaria restrita a competições entre seleções e torneios olímpicos, sem alcançar os campeonatos. Jogadoras brasileiras se manifestaram contra a proibição de Tifanny, que disputa competições femininas há cerca de dez temporadas.

As inscrições para a Superliga se encerram no dia 5 de outubro.