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Quem é Andrés Sanchez? Conheça ex-presidente expulso do Corinthians por uso pessoal de cartão do clube

Conselho Deliberativo aprovou exclusão do ex-dirigente do quadro de sócios por 112 votos a 49, após investigação sobre despesas pessoais com cartão corporativo; torcedores comemoraram na porta do Parque São Jorge

Agência O Globo - 26/05/2026
Quem é Andrés Sanchez? Conheça ex-presidente expulso do Corinthians por uso pessoal de cartão do clube
Andrés Sanchez - Foto: Reprodução / Instagram

Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, foi expulso do quadro de associados do clube nesta segunda-feira (25), em votação realizada no Parque São Jorge, sede social do Timão, em São Paulo. A decisão do Conselho Deliberativo seguiu a Comissão de Ética, que havia recomendado a exclusão do ex-dirigente após investigação sobre o uso indevido do cartão corporativo para despesas pessoais.

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Ao todo, 167 conselheiros participaram da votação. Foram 112 votos pela expulsão, 49 contra e seis abstenções. A comparação foi de 58,8% do Conselho, que tem 84 conselheiros vitalícios ativos e 200 trienais. Entre os vitalícios, a disputa foi mais apertada: 16 votaram a favor da expulsão e 14 foram contra. Entre os conselheiros trienais, a vantagem pela exclusão foi maior.

Agora, Andrés será notificado formalmente da decisão para que a expulsão passe a ter efeito, segundo explicou Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo.

— Trata-se de um julgamento do colegiado, o Conselho tem autonomia, não há necessidade de assembleia-geral para essa finalidade (de expulsão). Agora, ele será comunicado formalmente do resultado e, consequentemente, a decisão passa a ter efeito. O procedimento dentro do clube está esgotado. Eventualmente, caso ele entenda levar essa questão para discussão judicial, é direito dele, não temos controle sobre isso.

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A defesa de Andrés Sanchez foi procurada pelo ge após o julgamento no Conselho, mas não se pronunciou até a última atualização da reportagem.

Quem é Andrés Sanchez?

Andrés Sanchez foi presidente do Corinthians por dois mandatos. O primeiro ocorreu entre 9 de outubro de 2007 e 14 de fevereiro de 2012, período marcado por conquistas importantes, incluindo o título do Campeonato Brasileiro de 2011.

Depois, voltou ao comando do clube entre 3 de fevereiro de 2018 e 3 de janeiro de 2021. Foi justamente durante essa segunda gestão que ocorreram as despesas investigadas no caso que levou à sua expulsão.

Além da trajetória no Corinthians, Andrés também foi deputado federal por São Paulo entre 1º de fevereiro de 2015 e 1º de fevereiro de 2019.

Entenda arrastão

O procedimento interno indicou que Andrés usou o cartão de crédito do Corinthians para despesas pessoais. A mesma irregularidade motivou denúncias do Ministério Público de São Paulo à Justiça contra o ex-presidente.

De acordo com as contas do promotor Cássio Conserino, o valor indevidamente utilizado seria de R$ 480.169,60 entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, já corrigido pela inflação e com juros.

Entre as despesas indevidas como indevidas pelo MP estão a compra de dois relógios de luxo, gastos em duty free, lojas de roupas, farmácias, frigoríficos, hospital, laboratório de análises clínicas, barbearia, churrascarias e outros restaurantes. Também constam na lista passeio de barco, hospedagem em hotel e refeição em restaurante em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, onde Andrés costuma passar o Réveillon.

O cartão corporativo também foi usado, segundo revelou o ge, para pagar um restaurante em Fernando de Noronha, em Pernambuco, onde o Corinthians não tinha agenda. Na época, o ex-presidente afirmou que ressarciria o caso do clube o gasto irregular fosse comprovado.

Andrés admitiu o uso indevido, disse ter confundido o cartão corporativo com o pessoal e ressarciu o clube em R$ 15 mil.

Em sua defesa, o ex-presidente sustentou que não havia política interna para disciplinar o uso do cartão corporativo, que os gastos foram inseridos “em ambiente institucional de informalidade pretérita”, que por vezes se confundiu com o uso do cartão pessoal, que não houve dolo nem má-fé, que parte das despesas apontadas como irregulares era compatível com atividades institucionais e que outra parte foi ressarcida.

Torcedores comemorativos

A votação provocou uma votação intensa no Parque São Jorge. A foi reforçada com profissionais do clube e membros da Polícia Militar e da Polícia Civil. Apesar da tensão antes da reunião, não houve registros de confusão.

Torcedores organizados começaram a chegar ao local no meio da tarde e específicos do lado de fora. Eles estenderam faixas pedindo a expulsão de Andrés, com mensagens como “quem prejudica o clube não nos representa”, “não há mais espaço para tolerância” e “conselheiros, a história vai lembrar quem protegeu o Corinthians... e quem se omitiu!”.

Pela manhã, faixas em defesa do ex-presidente também foram colocadas, com frases como “quem tem história não pode ser expulsa” e “expulsão não, política suja”. Elas foram retiradas por torcedores.

Um caminhão de som posicionado na entrada do clube tocou o hino do Corinthians e músicas como “Reunião de bacana”, do Fundo de Quintal, que tem o refrão “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”.

Quando o resultado foi anunciado, os torcedores comemoraram, soltaram fogos de artifício e uma das organizadas disparou espuma de sabão em direção à fachada do clube, em alusão a uma limpeza. O carro de som reproduziu “Vou Festejar”, ​​de Beth Carvalho, cujo trecho diz: “vou festejar o teu sofrer, o teu penar”.

Sessão teve pedido de voto secreto

Três advogados de Andrés chegaram ao Parque São Jorge por volta das 17h30 e entraram no teatro onde ocorreu a votação. Eles não falaram com a imprensa.

No início da reunião, o ex-presidente Mario Gobbi pediu que a votação fosse secreta e questionou se o relatório da Comissão de Ética não deveria prever a suspensão como pena alternativa. Pantaleão, porém, manteve a previsão de voto aberto, com registro de como cada conselheiro votou.

Rodrigo Bittar, conselheiro da Comissão de Ética, leu as conclusões do relatório. Em seguida, a defesa de Andrés teve uma palavra. A votação começou pelos conselheiros vitalícios e, depois, seguida com os trienais.

Processos na Justiça

Além da segurança interna, Andrés também responde a processos na Justiça a partir de denúncias apresentadas pelo Ministério Público. Em um deles, é acusado de apropriação indébita. Em outro, a Justiça rejeitou, em primeira decisão, as denúncias de que o caso caracterizava lavagem de dinheiro e crime tributário.

O MP também denunciou o ex-presidente Duílio Monteiro Alves, que comandou o Corinthians entre 2021 e 2023. Nesse caso, a Justiça aceitou a denúncia por apropriação indébita e o tornou-se réu.

Em relação a Augusto Melo, presidente entre 2024 e 2025, o MP pediu o arquivamento da investigação por não ter identificado o uso do cartão corporativo pelo ex-dirigente entre janeiro de 2024 e maio de 2025.