Vida Esportiva
Torcedor do Vasco perde visão após ser atingido por bala de borracha em ação policial
Mãe expressa tristeza e revolta: "Como é que pode uma pessoa ir ao estádio para assistir a um jogo e sair de lá sem a visão?"
O jovem Arthur Conceição, de 18 anos, torcedor do Vasco, teve a perda total da visão do olho direito confirmada após ser atingido por uma bala de borracha disparada durante uma ação policial. O incidente ocorreu no entorno do Maracanã, logo após o empate entre Vasco e Flamengo, no último domingo.
Inicialmente, Arthur, estudante de nutrição, foi socorrido no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, e posteriormente transferido para a Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul da cidade. Apesar de manter esperanças de recuperação, a família informou que ele saiu da cirurgia com o diagnóstico de perda irreversível da visão do lado direito.
Além da lesão ocular grave, Arthur ainda precisará passar por outras duas cirurgias devido a uma fratura no nariz.
Christiane, mãe de Arthur, confirmou que o disparo partiu de um policial e manifestou profunda indignação e tristeza diante da brutalidade do ocorrido:
— Estou emocionalmente abalada. Não aceito isso. Meu filho, que acabou de ingressar na universidade, teve uma vida promissora interrompida por perder a visão. Ele foi ao jogo para se divertir e, ao voltar para pegar o metrô, um policial atirou nele deliberadamente. Ele não estava envolvido em confusão — declarou a mãe.
— Um homem montado em um cavalo, totalmente camuflado e com escudo, disparou contra meu filho sem preparo algum. Um profissional despreparado diante de uma multidão. Isso é inadmissível, revoltante, não aceito — completou.
A família de Arthur afirmou que buscará respostas junto às autoridades.
— Como é possível uma pessoa ir ao estádio para assistir a um jogo e sair de lá sem a visão? E ficar por isso mesmo? — questionou a mãe.
Relembre o caso
A comemoração de Arthur pelo empate do Vasco no clássico contra o Flamengo rapidamente se transformou em pesadelo. Ao sair do Maracanã, o jovem foi atingido no olho direito por uma bala de borracha.
Aluno da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Arthur relatou que foi ferido por um policial durante uma ação da Polícia Militar (PMERJ) após a partida, enquanto deixava o Setor Sul do estádio acompanhado de dois amigos. No tumulto, acabou se separando deles.
— Assim que chegamos à rua, havia muito cheiro de gás. Andamos com cuidado, pois havia crianças e idosos. Perto de um carro, vimos correria e a cavalaria avançando. Um policial desnorteado nos expulsou do abrigo. Fiquei com medo — relembrou Arthur. — Parei ao lado de um carrinho e, ao me virar para ver onde estavam os cavalos, fui atingido no olho por uma bala de borracha. Começou a jorrar sangue.
Segundo relatos de Arthur e de testemunhas, a ação foi truculenta e repentina, com uso de cavalaria, spray de pimenta, bombas e balas de borracha. "Agressiva e desnecessariamente violenta", descreveu um presente.
Após o clássico, houve tumulto e correria no entorno do estádio envolvendo torcidas organizadas. A confusão começou na rampa do metrô e se espalhou, com registros de violência policial. Procurada, a Polícia Militar informou que abrirá procedimento para apurar os fatos e identificar os responsáveis.
"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, tanto o comando da Polícia Montada quanto o do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (BEPE), que atuaram na contenção das brigas entre torcedores após o jogo, vão abrir uma averiguação em suas unidades, para elucidação dos fatos e responsabilidades", declarou a PMERJ em nota.
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