Vida Esportiva

Flamengo encara o Pyramids, o novo rico do futebol egípcio, na semifinal

Neste sábado, o time africano enfrenta o rubro-negro em Doha, no Catar, pela semifinal da Copa Intercontinental

Agência O Globo - 12/12/2025
Flamengo encara o Pyramids, o novo rico do futebol egípcio, na semifinal
Flamengo encara o Pyramids, o novo rico do futebol egípcio, na semifinal - Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O Pyramids, adversário do Flamengo na semifinal da Copa Intercontinental da FIFA, é um clube sem títulos nacionais, com torcida reduzida e fundação recente. Diferentemente do tradicional Al Ahly, famoso por duelos históricos contra brasileiros, como o Palmeiras no Mundial de Clubes deste ano, o Pyramids representa uma nova era no futebol egípcio.

Inicialmente chamado Al Assiouty, em homenagem à cidade de origem, o clube foi fundado em 2008. Cerca de uma década depois, foi adquirido pelo Fundo de Esportes da Arábia Saudita e transferido para o Novo Cairo (Al Qahera Al Gedida), uma cidade planejada próxima à capital egípcia. O Novo Cairo atrai parte da elite local e instituições importantes, como o Museu do Egito e a Universidade Americana do Cairo, buscando distância do caos da metrópole.

O nome Pyramids surgiu como estratégia de marketing para atrair atenção internacional. A ligação com as pirâmides facilita a identificação global do clube, assim como o próprio país adota o nome "Egito" mundialmente. Seguindo tendência semelhante, o Ceramica Cleópatra, outro clube recente fundado por um empresário-político multimilionário, hoje disputa a liderança do campeonato egípcio com o Pyramids, um feito raro.

Tanto o Pyramids quanto o Cleópatra diferem dos gigantes Al Ahly e Zamalek, que equivalem a Flamengo e Fluminense no Egito. Fundado em 1907, o Al Ahly soma 45 títulos nacionais e 12 conquistas da Liga dos Campeões da África, o equivalente à Libertadores.

O clássico Al Ahly x Zamalek é comparável a Boca Juniors x River Plate em Buenos Aires ou Corinthians x Palmeiras em São Paulo. Já o Pyramids pode ser comparado a clubes como Bragantino ou Mirassol, montando elencos fortes graças ao investimento estrangeiro, mas sem a mesma paixão de massa. Enquanto isso, as torcidas de Al Ahly e Zamalek, com dezenas de milhões de adeptos, protagonizam festas e protestos históricos, como na Primavera Árabe de 2011.

O Zamalek, por sua vez, se assemelha aos clubes brasileiros, com sedes sociais e equipes em diversos esportes, como polo aquático, vôlei, basquete e squash — modalidade na qual o Egito é referência mundial. O país mantém a tradição de clubes poliesportivos, semelhantes a Pinheiros, Paulistano, Minas Tênis Clube ou o próprio Flamengo.

Resta saber se a ascensão do Pyramids será duradoura ou passageira. O certo é que dificilmente conquistará uma torcida comparável à do Al Ahly, assim como o São Caetano jamais atingiu o patamar de Corinthians ou Palmeiras.

Por fim, vale destacar que o futebol egípcio é dominado por clubes do Cairo. Alexandria, apesar de sua importância histórica, não possui times competitivos. O Al Itihad, por exemplo, está na zona de rebaixamento e nunca venceu o campeonato nacional.