Vida e Saúde

El Niño: 7 cuidados para proteger a saúde diante de temperaturas extremas

Calor, frio e mudanças bruscas de temperatura exigem cuidados específicos, especialmente para quem tem problemas cardiovasculares.

A Tarde 06/11/2026
El Niño: 7 cuidados para proteger a saúde diante de temperaturas extremas
Cuidados são essenciais para proteger a saúde em épocas de clima extremo.

O interesse dos brasileiros pelo El Niño tem se refletido também nas buscas por informações sobre o fenômeno. Um levantamento do Research & Innovation Center (RIC), da Afya, analisou dados do Google Trends em setembro de 2026, comparando com o mesmo mês de 2025, e identificou um aumento de 1.300% no interesse pelo termo “El Niño”. A análise também examinou as buscas relacionadas aos potenciais efeitos das temperaturas extremas sobre a saúde, revelando preocupações da população em relação a sintomas, prevenção e cuidados durante períodos de calor intenso.

O fenômeno altera os padrões de temperatura e precipitação em diversas regiões do Brasil, resultando em calor intenso, frio ou mudanças climáticas abruptas. Essas variações demandam atenção à saúde, especialmente entre pessoas com doenças cardiovasculares, mais suscetíveis aos efeitos do clima extremo.

O cardiologista Luiz Gasparelo, docente da Afya Educação Médica Porto Velho e Afya São Lucas, comenta quais cuidados podem minimizar riscos durante períodos de temperaturas extremas e mudanças climáticas significativas. Confira!

1. Evite exposição prolongada às altas temperaturas

A preocupação com os efeitos do calor também se reflete nas buscas dos brasileiros. O levantamento do Research & Innovation Center detectou um aumento no interesse por temas relacionados às altas temperaturas e suas consequências para a saúde, mostrando que dúvidas sobre sintomas e formas de prevenção ganham espaço nesses períodos.

Em dias de calor intenso, o organismo aumenta a circulação sanguínea na pele para facilitar a dissipação do calor, resultando na dilatação dos vasos sanguíneos, na aceleração dos batimentos e na perda de líquidos e sais minerais pelo suor.

“Pessoas com doenças cardiovasculares precisam de atenção especial. Evitar exposição prolongada ao calor, buscar ambientes frescos e realizar atividades físicas ao ar livre nos horários de menor temperatura são medidas essenciais”, orienta o cardiologista.

2. Hidrate-se, mas respeite as orientações médicas

A busca por informações sobre desidratação cresceu 120% no período analisado pelo Research & Innovation Center. Esse interesse foi particularmente elevado em estados como Acre, Tocantins, Rondônia e Distrito Federal, evidenciando a relevância de dúvidas sobre sintomas e formas de reposição de líquidos em épocas de calor intenso.

A hidratação adequada é fundamental, especialmente em dias muito quentes. Contudo, pacientes com insuficiência cardíaca ou doença renal avançada podem necessitar de orientações específicas sobre a ingestão de líquidos, já que a restrição hídrica não é universal para todos esses pacientes.

“A quantidade de líquidos deve ser definida conforme a orientação da equipe de saúde, equilibrando a prevenção da desidratação e o risco de acúmulo de líquido”, aconselha Dr. Luiz Gasparelo.

3. Não suspenda medicamentos por conta própria

Períodos de calor intenso podem provocar alterações na pressão arterial e na hidratação, mas isso não significa que a pessoa deva interromper ou modificar o tratamento. Alguns medicamentos, como diuréticos e determinados remédios para controle da pressão arterial, podem exigir reavaliação médica em determinadas situações.

A orientação é procurar a equipe de saúde diante de tontura, pressão mais baixa que o habitual ou outros sintomas novos, em vez de alterar a medicação por conta própria.

Jovem aferindo pressão arterial
Pessoas com doenças cardiovasculares precisam redobrar os cuidados durante períodos de temperaturas extremas.

4. Quem tem doença cardiovascular precisa de atenção redobrada

Pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca e doença coronariana podem ser mais vulneráveis às alterações provocadas por climas extremos. O risco não está apenas ligado à temperatura registrada, mas também ao tempo de exposição, às condições de saúde e à capacidade de cada um de se proteger.

O Dr. Luiz Gasparelo enfatiza que “o calor intenso pode causar desidratação, queda da pressão arterial e aceleração dos batimentos cardíacos. Por outro lado, o frio pode elevar a pressão arterial e aumentar a demanda de oxigênio do coração. Essas mudanças merecem atenção especial em pessoas com doenças cardiovasculares.”

5. Não deixe os cuidados de lado nos períodos de frio

No frio, os vasos sanguíneos se contraem para ajudar o organismo a reter o calor. Com essa resposta, a pressão arterial pode aumentar e o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue. Em indivíduos com estreitamento das artérias coronárias, essa demanda elevada pode favorecer dor no peito e elevar o risco cardiovascular, especialmente durante esforços físicos intensos.

6. Ajuste os horários das atividades físicas

Em tempos extremos, tanto o horário quanto a intensidade da atividade física merecem atenção. No calor, o organismo já se esforça para controlar a temperatura corporal, aumentando a circulação sanguínea na pele, os batimentos cardíacos e a perda de líquidos pelo suor. Durante o exercício, essa necessidade pode ser ainda maior.

A recomendação é respeitar os próprios limites e interromper a atividade diante de sintomas como falta de ar fora do habitual, tontura, dor ou pressão no peito. “A atividade física continua sendo essencial para a saúde cardiovascular, mas, em dias de temperaturas extremas, é crucial ajustar horário e intensidade para reduzir a sobrecarga sobre o organismo”, orienta o médico.

7. Não atribua qualquer mal-estar ao tempo

O levantamento do Research & Innovation Center revela que o interesse dos brasileiros vai além do fenômeno climático, abrangendo também sintomas e situações que podem estar associados às condições ambientais. Por isso, identificar sinais de alerta é fundamental para diferenciar um desconforto relacionado ao clima de uma condição que exige avaliação médica.

Nem todo sintoma durante calor ou frio é consequência da temperatura. Sinais como pressão ou aperto no peito, falta de ar, cansaço desproporcionado ao esforço e diminuição da capacidade de realizar atividades habituais requerem avaliação médica.

Dor ou aperto no peito de início recente, especialmente quando acompanhados de falta de ar, suor frio, náuseas ou desconforto que irradia para o braço, as costas ou a mandíbula, exigem atendimento imediato. O mesmo se aplica à falta de ar intensa ou em repouso e episódios de desmaio, principalmente se acompanhados de palpitações ou dor no peito. Nestes casos, recomenda-se acionar o SAMU pelo número 192.

Por Julia Costa e Costa