Vida e Saúde

O uso regular de extensões de cílios está associado a ácaros da pele, irritação ocular e obstrução das glândulas; entenda

Entre os sintomas estão: coceira e irritação ao redor das pálpebras, vermelhidão, inchaço, cílios grudados e pele escamosa na base

Agência O Globo - 29/09/2026
O uso regular de extensões de cílios está associado a ácaros da pele, irritação ocular e obstrução das glândulas; entenda
O uso regular de extensões de cílios está associado a ácaros da pele, irritação ocular e obstrução das glândulas; entenda

Demodex folliculorum. O nome pode até lembrar algum monstro de ficção cientifica, mas é um ácaro minúsculo que muitas mulheres jovens que usam extensões de cílios regularmente podem possuir. Esses ácaros podem causar uma reação cutânea dolorosa chamada demodicose.

Segundo Harvard:

Nem pão branco, nem suco de laranja:

Entre os sintomas apresentados estão: irritação ocular e a maioria tem problemas com as minúsculas glândulas próximas aos cílios, chamadas glândulas de Meibômio, que produzem uma substância oleosa para evitar que os olhos ressequem. Os dados foram apresentados no 44º Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refrativa (ESCRS).

Pesquisadores afirmam que algumas medidas simples de higiene, como a limpeza dos cílios e o tratamento de infestações por ácaros quando necessário, podem tornar as extensões de cílios muito mais seguras.

"As extensões de cílios são um procedimento cosmético extremamente popular entre as mulheres jovens, pois proporcionam a aparência de cílios mais longos e volumosos sem a necessidade de rímel. Ao mesmo tempo, há evidências crescentes que sugerem que esse procedimento pode causar problemas na superfície ocular, incluindo irritação, sintomas de olho seco e disfunção das glândulas de Meibômio. No entanto, a relação entre extensões de cílios e demodicose ainda é pouco compreendida”, afirmou a apresentadora do estudo, Tetiana Zhmud, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Nacional de Medicina Pirogov, em Vinnytsia, Ucrânia.

Zhmud e a equipe de pesquisadores realizaram um estudo com 345 mulheres entre 16 e 28 anos e descobriram que quase um quarto delas já havia feito extensão de cílios. Mais da metade (58%) fazia extensão de cílios a cada três ou quatro semanas. Quase metade das mulheres que fizeram extensão de cílios (47,6%) relataram desconforto, vermelhidão, lacrimejamento ou coceira após o procedimento.

Para chegar nos resultados, os pesquisadores usaram uma técnica chamada meibografia, na qual a luz infravermelha permite visualizar as glândulas de Meibômio através das pálpebras.

Cientistas descobrem:

Entre as mulheres que haviam feito extensão de cílios pelo menos 10 vezes, os pesquisadores descobriram que a maioria (85%) apresentava sinais de disfunção das glândulas de Meibômio. Ou seja, as glândulas estavam obstruídas ou não produziam a quantidade adequada de óleo para manter os olhos hidratados.

Os pesquisadores ainda usaram um microscópio para examinar amostras de cílios de 25 mulheres que faziam uso regular de extensões de cílios. Em todas, com exceção de uma, foram encontrados os ácaros da pele Demodex folliculorum. Em 18 das mulheres, havia sinais de irritação cutânea tipicamente causados por ácaros, incluindo coceira e irritação ao redor das pálpebras, vermelhidão, inchaço, cílios grudados e pele escamosa na base dos cílios.

"Nossos resultados não sugerem que as pessoas devam evitar completamente as extensões de cílios. No entanto, eles destacam a importância da higiene adequada das pálpebras, da atenção aos sintomas e da avaliação oportuna quando eles surgirem. Para o cuidado ideal das extensões de cílios, recomenda-se o uso de um gel hipoalergênico sem conservantes, desenvolvido para higiene terapêutica das pálpebras, duas vezes ao dia, utilizando uma escova de limpeza de cílios. Em indivíduos com infestação confirmada por Demodex, um tratamento antiparasitário pode ser considerado”, afirmou Zhmud.

A pesquisadora diz que o estudo é pequeno e que são necessários mais estudos para comprovar os resultados. Entre as limitações do recente estudo estão: a não comparação com mulheres jovens que não usaram extensões de cílios. Pesquisas futuras devem incluir um grupo maior de pessoas com e sem extensões de cílios para analisar quantos ácaros estão presentes e como a frequência do uso de extensões de cílios se compara à saúde ocular e aos sintomas de infestação por ácaros.

'De forma cuidadosa':

"Embora esses ácaros sejam comuns, normalmente não os vemos em grande quantidade em mulheres jovens. Geralmente, se estiverem presentes nos cílios, os identificamos pelas 'colaretas' que deixam ao redor dos cílios. Essas são argolas cerosas compostas por ácaros mortos, fezes e ovos de ácaros, misturados com pele e óleo. Como o adesivo usado durante os procedimentos de extensão de cílios é aplicado próximo à base dos cílios naturais, onde as colaretas normalmente se localizam, pode ser muito mais difícil identificá-las em mulheres que usam extensões de cílios”, afirmou Sorcha Ni Dhubhghaill, presidente do Comitê de Córnea da ESCRS, chefe de departamento e especialista em córnea e catarata do UZ Brussel, na Bélgica, que não participou da pesquisa.

É importante ressaltar que a presença de Demodex folliculorum não indica necessariamente doença, pois esses ácaros podem fazer parte da microbiota ocular normal. No entanto, é importante detectá-los caso estejam causando sintomas, sinais de inflamação e disfunção das glândulas de Meibômio.