Vida e Saúde
Gengiva sangrando nunca é normal e pode ser o primeiro alerta de uma doença silenciosa
Especialista alerta que um dos sintomas mais ignorados pelos brasileiros pode indicar inflamações capazes de comprometer não apenas a saúde bucal, mas também a saúde geral
São Paulo, setembro de 2026 – Sangrar durante a escovação ou ao passar o fio dental geralmente não é consequência de escovar os dentes com força nem algo comum do dia a dia. Na maioria das vezes, esse é o primeiro sinal clínico de uma inflamação gengival que pode evoluir silenciosamente para doenças periodontais e, quando negligenciada, levar até à perda dos dentes.
Apesar disso, milhões de pessoas convivem com o sintoma sem procurar avaliação profissional. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do estudo Global Burden of Disease, cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem com doenças periodontais em todo o mundo. No Brasil, levantamentos do Projeto SB Brasil mostram que as alterações gengivais continuam entre os principais desafios da saúde bucal da população.
“O maior problema é que o sangramento costuma aparecer muito antes da dor. Como o paciente normalmente não sente desconforto nas fases iniciais, acaba acreditando que é algo normal e adia a consulta. Quando procura atendimento, muitas vezes a doença já evoluiu", afirma Dr. Lucas Fontanari, doutor em Periodontia pela UNESP.
Na maioria dos casos, o sangramento está associado à gengivite, inflamação provocada pelo acúmulo do biofilme bacteriano, placa que se forma naturalmente sobre dentes e gengivas. Embora reversível, a gengivite não deve ser negligenciada, pois, em indivíduos suscetíveis, a inflamação periodontal pode progredir e levar à periodontite, doença que compromete os tecidos e o osso que são responsáveis pela sustentação dos dentes.
Além da higiene bucal inadequada, fatores como diabetes descompensada, tabagismo, alterações hormonais, estresse e predisposição genética podem aumentar o risco de desenvolvimento ou agravamento das doenças periodontais.
"A gengiva funciona como um importante sinal de alerta do organismo. Sangramento frequente, recessão gengival, mau hálito persistente ou dentes que começam a apresentar mobilidade nunca devem ser ignorados", explica o especialista.
Nos últimos anos, a ciência também passou a demonstrar de forma mais consistente que a saúde da boca está diretamente relacionada à saúde do organismo. Evidências científicas apontam associação entre doenças periodontais e condições sistêmicas como diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. Entre elas, a relação com o diabetes é considerada uma das mais consolidadas: pessoas com diabetes descompensada apresentam maior risco de desenvolver e agravar a periodontite, enquanto a própria periodontite pode dificultar o controle da glicemia.
"Hoje entendemos que cuidar da gengiva não significa apenas preservar os dentes. A saúde bucal faz parte da saúde geral, e ignorar processos inflamatórios pode trazer consequências que vão além da cavidade oral", afirma Fontanari.
Para o especialista, o diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar tratamentos mais complexos. Quanto antes a inflamação é identificada, maiores são as chances de controlar a doença, preservar os tecidos de suporte dos dentes e manter a saúde bucal ao longo da vida.
Essa mudança de visão também vem transformando a prática odontológica. Protocolos preventivos e minimamente invasivos têm ganhado espaço por priorizarem a identificação precoce do biofilme bacteriano e sua remoção de forma mais precisa e confortável para o paciente. Entre eles está o Guided Biofilm Therapy (GBT), abordagem baseada em evidências científicas que combina diagnóstico individualizado, evidenciação do biofilme, orientação ao paciente e tecnologias específicas para sua remoção.
"O objetivo é atuar antes que a doença evolua. Ao tornar o biofilme visível, conseguimos direcionar sua remoção de forma mais precisa e minimamente invasiva, proporcionando uma experiência mais confortável ao paciente", explica Fontanari.
Para o especialista, a principal mensagem continua sendo a mais simples: sangramento gengival nunca deve ser encarado como algo normal. "Assim como ninguém ignora uma alteração na pressão arterial ou na glicemia, também não devemos ignorar o sangramento da gengiva. É um sinal clínico que merece investigação e pode fazer toda a diferença para evitar complicações futuras", conclui.
Sobre a EMS
Fundada em 1981, a EMS (Electro Medical Systems) é uma empresa suíça referência global em tecnologias médicas, com atuação nas áreas de odontologia, terapia da dor e urologia. Reconhecida pela combinação entre inovação, precisão e evidência clínica, a companhia tem se destacado pelo desenvolvimento de abordagens voltadas à prevenção e ao cuidado minimamente invasivo, como o Protocolo GBT (Guided Biofilm Therapy), voltado ao controle do biofilme dental. Clínicas certificadas na técnica podem ser consultadas por meio da plataforma GBT Finder.
Sobre Dr. Lucas Fontanari
Dr. Lucas Fontanari é cirurgião-dentista, mestre, especialista e doutor em Periodontia pela UNESP-FOAr e referência nacional e internacional em estética gengival, tratamento das doenças periodontais e fotografia odontológica. Coautor dos livros “Direct – Facetas em Resinas Compostas” e “Vernissage – Fotografia & Arte na Odontologia” e adepto do Protocolo GBT, atua na integração entre técnica clínica, saúde e estética, com destaque para abordagens contemporâneas em Periodontia/Implantodontia e comunicação visual aplicada à prática odontológica. Sócio-proprietário do Instituto Odontológico Fontanari, localizado em São José do Rio Preto-SP.
Mais lidas
-
1CLIMA
ONS projeta chuvas acima da média nos subsistemas Sul, Sudeste e Centro-Oeste
-
2ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
3POLÍTICA
Gilmar Mendes envia advogado de confiança para falar com Flávio Bolsonaro
-
4MILITAR
Na região de Carcóvia estão cercados cerca de 1,7 mil militares do Exército ucraniano, diz MD da Rússia
-
5NATUREZA
Baleia-franca visita praia do Leblon e encanta banhistas