Vida e Saúde

Raspar ou não raspar? Gretchen expõe dilema antes de transplante capilar

Médico explica quando a técnica sem raspagem pode ser indicada e em quais casos raspar os fios ainda é a melhor opção

Agência O Globo - 11/08/2026
Raspar ou não raspar? Gretchen expõe dilema antes de transplante capilar
Gretchen - Foto: Reprodução / Instagram

Foi ao vivo, diante de milhares de seguidores, que Gretchen participou de sua experiência. A artista, que enfrenta a alopecia androgenética — agravada, segundo ela, por processos químicos no cabelo, pela Covid-19 e pela programação hormonal —, optou por tornar pública uma etapa que muitos pacientes preferem manter em sigilo.

“Optei por raspar o cabelo; o paciente pode escolher”, disse Gretchen durante a transmissão, destacando que a raspagem foi uma decisão voluntária, e não uma exigência médica.

Segundo Audir Carvalho Júnior , médico tricologista e sócio da Novofio, rede de transplante e tratamento capilar do país, o procedimento pode ser realizado atualmente com raspagem total ou parcial das áreas doadora e receptora ou pela técnica sem raspagem, que preserva o comprimento dos fios.

"Antigamente, a técnica só foi realizada com raspagem total. Hoje, com a evolução de equipamentos e técnicas, temos uma alternativa de fazer transplantes sem qualquer raspagem, o que, obviamente, é muito mais confortável para o paciente. É importante ressaltar que o transplante capilar com raspagem ainda é o mais comum e mais indicado em grandes casos", explica o especialista.

Na técnica sem raspagem, os folículos são retirados individualmente da área doadora, geralmente na parte posterior da cabeça, e implantados entre os fios existentes. Segundo o especialista, a principal vantagem é preservar a aparência do paciente no período pós-operatório.

A técnica também pode permitir um retorno mais discreto à rotina profissional e social, além de ser uma alternativa para pessoas que não querem revelar o que passou por um transplante. "Muitas pessoas não desejam divulgar que realizaram um transplante capilar. A técnica permite um pós-operatório muito mais discreto", afirma.

Técnica sem raspagem exige maior complexidade

Apesar das vantagens, Carvalho Júnior ressalta que o procedimento sem raspagem é técnico mais complexo e pode exigir mais tempo de cirurgia. A manipulação dos fios longos durante a remoção e a implantação exige planejamento e uma equipe treinada especificamente para esse tipo de procedimento.

Por isso, nem todos os pacientes são candidatos ideais à técnica. Em casos de alopecias muito extensas, grande quantidade de exercícios ou quando a logística da cirurgia favorece a raspagem, o procedimento tradicional pode ser mais indicado.

A escolha, segundo Carvalho Júnior, deve considerar características individuais, como o tipo e a extensão da alopecia, a quantidade de unidades foliculares necessárias, a área doadora e a rotina profissional e social do paciente. “Em muitos pacientes, especialmente mulheres, a preservação dos cabelos pode trazer um benefício muito maior do que a pouca facilidade técnica obtida com a raspagem”, resume.

Para o especialista, o caso de Gretchen ajuda a desfazer a ideia de que raspar a cabeça é uma etapa obrigatória do transplante capilar. A escolha entre as técnicas depende das características de cada paciente e do equilíbrio entre resultado, segurança e impacto na rotina.

“A pergunta correta não é qual técnica é melhor, mas sim qual técnica oferece o melhor equilíbrio entre qualidade técnica, resultado estético e impacto na vida daquele paciente”, esclarece.