Vida e Saúde

Vacinação contra o HPV reduz em 81% a prevalência da infecção entre meninas de 16 a 25 anos no Brasil

Trabalho, ainda em prévia, será publicado na revista científica npj vaccines

Agência O Globo - 28/07/2026
Vacinação contra o HPV reduz em 81% a prevalência da infecção entre meninas de 16 a 25 anos no Brasil
Vacinação - Foto: Ruana Padilha / Ascom Sesau

Um novo estudo indica que a vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) consegue reduzir em 81% a prevalência da infecção entre meninas de 16 a 25 anos no Brasil. O resultado faz parte de uma análise que englobou a última década de imunização no país.

A faixa etária corresponde ao período que coincide com o pico de transmissão no início da atividade sexual. E, segundo os resultados, a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina caiu expressivamente no público feminino, indo de 15,64% na primeira fase (entre 2016-2017) para 5,92% na segunda (2020-2023).

Por outro lado, entre os homens, a redução na prevalência passou somente de 13,81% para 10,39%. O trabalho, que possui somente uma prévia, será publicado na íntegra na revista científica npj vaccines.

"Se não tivéssemos a vacina, a situação seria muito pior. Segundo nossas análises, o que está impedindo uma maior disseminação da infecção no Brasil é a vacinação, tendência observada e comprovada também em outros países", ressalta a médica epidemiologista Eliana Wendland, do Hospital Moinhos de Vento, em comunicado.

Vacinação prorrogada no Brasil

Neste mês, o Ministério da Saúde iniciou a segunda prorrogação da vacinação contra o HPV. O público principal são os adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a dose recomendada entre os 9 a 14 anos.

Também conhecida como condiloma acuminado, o vírus, na maioria dos casos, não gera sintomas, mas pode provocar verrugas na vagina ou pênis e câncer em homens e mulheres, a depender do tipo da infecção. O HPV está associado a cânceres de colo do útero, vagina, vulva, pênis, ânus, canal anal e orofaringe. No colo do útero, 100% dos casos são atribuíveis ao vírus, de acordo com o INCA.

O sexo é a principal via de transmissão do HPV, que inclui:

Contato direto com a pele ou mucosa infectada;

Contato oral-genital ou manual-genital;

O risco de contato se agrava visto que o HPV não se aloja apenas na vagina e no pênis, mas também na vulva, períneo, bolsa escrotal e região pubiana.

De forma muito rara, o HPV também pode ser transmitido de outras maneiras:

Através do parto, da mãe para o bebê;

O HPV pode estar presente em áreas extragenitais, como conjuntivas e mucosas nasal, oral e laríngea.

Ainda não é comprovada a possibilidade de contaminação por meio de objetos, do uso de vaso sanitário e piscina ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas.