Vida e Saúde

Borborigmo: você consegue identificar os roncos do seu estômago?

Teste verificou a percepção dos sinais digestivos, como fome e saciedade.

Agência O Globo - 25/07/2026
Borborigmo: você consegue identificar os roncos do seu estômago?
Borborigmo: você consegue identificar os roncos do seu estômago? - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma equipe liderada por pesquisadores do University College London realizou um experimento inovador, recentemente publicado na Scientific Reports, no qual os participantes deveriam identificar se estavam ouvindo uma gravação ao vivo de seus próprios estômagos ou uma gravação feita alguns minutos antes.

O objetivo do teste, denominado Reconhecimento de Roncos, era medir a interocepção gastrointestinal — nossa habilidade de detectar e interpretar sinais provenientes do sistema digestivo.

A interocepção tornou-se um tema relevante na neurociência, pois está na base de sensações físicas como fome, sede e bexiga cheia, além de emoções. Algumas pessoas estão mais sintonizadas com seus corpos nessa perspectiva, mas a sensibilidade excessiva pode resultar em ataques de pânico e distrações, enquanto a baixa interocepção pode ocasionar alimentação em excesso ou insuficiente, desidratação e negligência da dor.

A maioria dos métodos existentes para medir sinais de fome e digestão são desagradáveis, incluindo a inflação de balões no estômago ou reto, ou a ingestão de cápsulas eletrônicas. Conseguir voluntários para esses experimentos tem sido, portanto, um desafio contínuo.

A abordagem apresentada nesta pesquisa é bem mais simples. Quarenta e cinco adultos saudáveis (dois terços do total eram mulheres) chegaram ao laboratório após um jejum de três horas. Um estetoscópio digital foi colocado em seus abdômens para capturar o som contínuo da atividade digestiva: os borborigmos.

Os participantes ouviram dois trechos de áudio de 15 segundos, um sendo uma transmissão ao vivo do som do estômago no momento, e o outro, uma gravação realizada minutos antes. Eles deveriam decidir qual era a gravação em tempo real.

A tarefa foi repetida em três estados digestivos diferentes: em jejum, após consumir água com gás e após ingerir um shake substituto de refeição rico em proteínas.

No geral, o desempenho dos participantes em identificar a gravação ao vivo não foi satisfatório, com uma precisão em torno de 56 a 60% — apenas um pouco acima dos 50% esperados em palpites aleatórios.

Aproximadamente um em cada cinco participantes teve desempenho significativamente acima do acaso durante o jejum, número que aumentou para cerca de um em cada quatro após a ingestão de água com gás ou do shake. Algumas pessoas demonstraram uma percepção notável de quando estavam realmente certas, com índices de confiança alinhados ao desempenho real.

Esses resultados sugerem que a percepção dos sinais digestivos internos pode variar conforme o estado fisiológico. Além disso, indicam que há diferenças reais na capacidade de algumas pessoas de perceber esses sinais em comparação a outras.

Conforme os pesquisadores, isso pode auxiliar os estudiosos na investigação de condições nas quais a percepção intestinal se mostra alterada, incluindo transtornos alimentares, síndrome do intestino irritável, além de manifestações de ansiedade e depressão.