Vida e Saúde

Curvar-se no trabalho durante a gestação pode aumentar o risco de aborto, indica estudo dinamarquês

Pesquisa com mais de 800 mil gestações aponta que passar mais tempo curvada durante o trabalho está associado a um maior risco de aborto espontâneo

Agência O Globo - 01/07/2026
Curvar-se no trabalho durante a gestação pode aumentar o risco de aborto, indica estudo dinamarquês
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Trabalhos que exigem permanecer em pé, caminhar ou se curvar durante a gravidez podem aumentar o risco de aborto espontâneo, segundo um estudo dinamarquês que acompanhou mais de 800 mil gestações.

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Publicada na revista Occupational and Environmental Medicine, a pesquisa identificou que o maior risco está associado ao ato de se curvar para a frente. Cada hora diária nessa posição foi relacionada a um aumento de 36% no risco de perda gestacional.

Já permanecer em pé apresentou uma associação mais discreta: um aumento de 3% no risco para cada hora adicional.

Os resultados permaneceram consistentes mesmo após os pesquisadores ajustarem a análise para fatores como idade, escolaridade e histórico gestacional das participantes.

Estudo analisou mais de 800 mil gestações

Um dos principais pontos fortes da pesquisa é o tamanho da amostra. Foram analisados mais de 800 mil registros de gestação de cerca de 475 mil mulheres empregadas na Dinamarca entre 2004 e 2018.

Desse total, aproximadamente 81 mil gestações (10%) terminaram em aborto espontâneo.

Como a base de dados não continha informações detalhadas sobre a demanda física de cada ocupação, os pesquisadores utilizaram a matriz de exposição ocupacional PRECISE, desenvolvida especificamente para estimar o esforço físico de trabalhadoras grávidas.

A ferramenta combina dados obtidos por sensores de movimento de mais de 400 mulheres em mais de 100 ocupações com avaliações realizadas por três especialistas, abrangendo mais de mil classificações profissionais.

O que os pesquisadores descobriram

Além da associação entre permanecer curvada e o risco de aborto espontâneo, o estudo mostrou que cada hora adicional caminhando esteve relacionada a um aumento de 18% nesse risco.

A postura curvada foi a única a apresentar uma relação consistente de dose-resposta: quanto mais tempo a gestante permanecia nessa posição, maior era o risco observado.

Os autores destacam, porém, que o estudo identifica associações estatísticas e não comprova uma relação de causa e efeito.

Os resultados reforçam a importância da ergonomia no ambiente de trabalho, especialmente em profissões que exigem permanência prolongada em posturas desfavoráveis, como caixas de supermercado, profissionais da enfermagem e outras atividades com elevada demanda física.