Vida e Saúde

Alzheimer: novo medicamento que desacelera perda cognitiva chega ao Brasil

Leqembi, das farmacêuticas Biogen e Eisai, integra nova geração de anticorpos capaz de retardar, de forma modesta, o declínio cognitivo

Agência O Globo - 25/06/2026
Alzheimer: novo medicamento que desacelera perda cognitiva chega ao Brasil
- Foto: Depositphotos

As farmacêuticas Eisai e Biogen anunciaram, nesta quinta-feira, o início da disponibilidade comercial no Brasil do Leqembi (lecanemabe), medicamento destinado a pacientes em fase inicial da doença de Alzheimer. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro do ano passado, o remédio faz parte de uma nova geração de anticorpos que conseguem reduzir, de forma modesta, o ritmo do declínio cognitivo, embora não interrompam nem revertam a doença.

Em nota, o diretor médico da Eisai, Rodrigo Nascimento, afirmou que o lançamento no Brasil “representa um marco importante na ampliação do acesso a opções de tratamento inovadoras para pessoas que vivem com doença de Alzheimer”.

O tratamento é feito por meio de infusões intravenosas, a cada duas semanas, administradas exclusivamente em hospitais ou centros especializados, em sessões de cerca de uma hora. Por isso, o medicamento não estará disponível para compra pelo público em farmácias de varejo.

Segundo definição da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável pela definição dos preços de remédios no Brasil, o frasco do Leqembi pode chegar ao preço máximo de R$ 4.212,44 na versão de 5 mL, com concentração de 100 mg/mL, considerando alíquota estadual máxima de 23% de ICMS.

A dose recomendada pela Anvisa é de 10 mg/kg a cada duas semanas. Com isso, o custo médio do tratamento começa em valores superiores a R$ 8,5 mil por mês para um paciente com mais de 50 kg. Além do preço do medicamento, devem ser considerados os custos de acompanhamento e administração, o que pode elevar o valor praticado por clínicas e hospitais, como ocorre com outros tratamentos semelhantes.

O Leqembi recebeu autorização para o tratamento de pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve e demência leve devido à doença de Alzheimer, ou seja, em estágio inicial. Para receber a indicação, o paciente precisa ter a presença de placas da proteína amiloide no cérebro — alteração associada ao Alzheimer e alvo do medicamento — confirmada por exames. Além disso, não pode carregar a mutação no gene APOE-e4, que aumenta o risco da doença e também eleva a possibilidade de efeitos colaterais graves.

O Leqembi é um anticorpo monoclonal antiamiloide, assim como o Kisunla (donanemabe), da farmacêutica Eli Lilly, aprovado no Brasil em abril de 2025 também para o estágio inicial do Alzheimer. Ambos estão entre os primeiros medicamentos capazes de modificar a evolução da doença. Eles atuam ligando-se às placas da proteína amiloide que se formam ao redor dos neurônios de pessoas com Alzheimer e auxiliando em sua eliminação.

Nos estudos clínicos, o tratamento com o Leqembi foi realizado por 18 meses. Ao fim do período, os pesquisadores observaram redução de 27% no ritmo da perda cognitiva dos pacientes. Quando os dados foram publicados, em 2022, foi a primeira vez que um medicamento demonstrou capacidade de interferir na evolução da doença.

O Kisunla apresentou efeito maior nos testes: os pacientes tiveram progressão clínica até 35% menor ao longo de 18 meses, o que correspondeu a um atraso de 4,4 meses no declínio cognitivo. De modo geral, houve redução de 37% no risco de avanço para a fase seguinte da doença durante o período analisado.

Apesar dos avanços, os benefícios das medicações ainda são considerados modestos. Outros fatores que dificultam a adesão aos tratamentos são os preços elevados e o risco de efeitos colaterais graves. O Kisunla, já encontrado em alguns laboratórios e hospitais do país, tem sido vendido por cerca de R$ 24 mil por mês, considerando todos os custos do tratamento — mais de R$ 200 mil por ano.

Além disso, os dois medicamentos precisam ser indicados e administrados por profissionais especializados, com acompanhamento rigoroso para reduzir riscos. Entre as reações observadas nos estudos estão hemorragias cerebrais, problemas ligados à infusão e dores de cabeça. Em alguns casos, também foram registrados edemas no cérebro, que podem ser graves e fatais.

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