Vida e Saúde
Maíra Cardi relata reação a PMMA no rosto 20 anos após aplicação; entenda os riscos
Substância não reabsorvível é alvo de restrição do CFM para fins estéticos e pode causar complicações graves
A influenciadora e empresária Maíra Cardi publicou um vídeo nas redes sociais para relatar uma reação ao polimetilmetacrilato, substância conhecida como PMMA, cerca de 20 anos após a aplicação do produto no rosto.
Segundo Maíra, o procedimento foi realizado em consultório dermatológico, e ela acreditava se tratar de algo seguro. No entanto, nos últimos anos, passou a apresentar reações nas áreas onde o produto foi aplicado.
O que é o PMMA?
O PMMA é uma substância plástica, não reabsorvível pelo organismo. Em forma de gel, pode ser usada como preenchedor em situações específicas, como a correção de pequenas deformidades e casos de lipodistrofia — perda de gordura facial que pode ocorrer em pessoas que vivem com HIV.
A substância também já foi utilizada em procedimentos de correção volumétrica facial e corporal, para preencher irregularidades e depressões no corpo. Quando aplicada de forma profunda ou inadequada, porém, pode desencadear complicações graves, como infecções, processos inflamatórios e rejeição pelo organismo.
Por não ser reabsorvível, o PMMA pode aderir a estruturas como músculos e ossos, o que torna sua remoção extremamente difícil e, em alguns casos, quase impossível.
A controvérsia sobre o uso do PMMA ganhou força com o registro de mortes e complicações graves em procedimentos estéticos. Um dos casos mais recentes é o de Roseli Vieira, que aplicou a substância nos glúteos e nas coxas em um consultório médico na capital paulista. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Neste mês, passou a valer a proibição do uso do PMMA para fins estéticos por médicos no país, conforme resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). A norma prevê apenas uma exceção: pacientes com HIV que apresentem lipodistrofia.
Nesses casos, a aplicação deve ocorrer em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguir os protocolos clínicos e as diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) condena o uso do PMMA em procedimentos estéticos. Em nota publicada no ano passado, a entidade reiterou que a utilização fora das orientações médicas — em pequenas deformidades e na lipodistrofia — é “extremamente perigosa”.
“Apesar do produto ser comercializado em nosso meio, o mesmo pode ocasionar complicações precoces e tardias de difícil resolução. Dentre as complicações podemos citar: nódulos, massas e processos inflamatórios e infecciosos ocasionando danos estéticos e funcionais desastrosos e irreversíveis. (...) De acordo com relatos nos trabalhos científicos, as complicações mais graves como necroses, cegueiras, embolias e óbitos apresentam maior frequência com este produto do que com os preenchedores absorvíveis”, diz a nota.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também já manifestou preocupação com o uso inadequado do PMMA e os riscos à saúde. A agência reforça que, nos casos permitidos, o produto deve ser administrado apenas por profissionais médicos treinados, a fim de reduzir o risco de complicações.
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